Lista de Traços em Mulheres com a Síndrome de Asperger, por Samantha Craft

Texto original escrito por Samantha Craft

Tradução de Audrey Bueno

Fonte da Imagem

Mulheres com Asperger – Checklist não-oficial

Esta lista foi elaborada após nove anos de leituras, pesquisa e experiência associada à síndrome de Asperger.

Este é um checklist não oficial criado por uma mulher adulta com Síndrome de Asperger, que tem um filho também com a síndrome. Samantha Craft tem mestrado em Educação. Ela não tem formação em Psiquiatria ou Psicologia. Suas credenciais nesse assunto foram obtidas pela própria experiência e por ser mãe de uma criança com Asperger.

Ela criou essa lista na tentativa de assessorar os profissionais de saúde a reconhecerem a síndrome de Asperger em mulheres, pois os traços diferem significativamente da Síndrome de Asperger em homens, e sua expressão geralmente é mais branda e menos óbvia, o que dificulta um diagnóstico.

Mais informações podem ser encontradas no seguinte endereço: http://aspergersgirls.wordpress.com © Everyday Aspergers, 2012. Esse checklist não oficial pode ser impresso para terapeutas, psiquiatras, psicólogos, professores e parentes, desde que o nome e contato de Samantha Craft seja citado.

Uso sugerido: se cerca de 75-80% dos itens forem assinalados¹, pode haver considerável probabilidade de que a mulher seja portadora da síndrome de Asperger.

 

¹ 75-80% corresponde a um resultado entre 108-115 itens assinalados, dos 144 existentes nesta lista. Dada a forte probabilidade desse resultado ser indicativo da presença da síndrome de Asperger, sugere-se procurar uma avaliação profissional mais detalhada. Variações próximas da “nota de corte” (entre 65% e 75%, ou seja, entre 93 e 108 itens assinalados) podem indicar a presença de traços da síndrome, comum nos casos de FAA (ver definição abaixo), de modo que avaliação profissional também seja recomendada; nota do tradutor.


FAA (Fenótipo Ampliado do Autismo): é quando há tendência genética para o autismo, fazendo com que alguns traços da síndrome estejam presentes, porém não todos, não configurando a síndrome completa. Esses indivíduos podem vir a ter dificuldades significativas em uma ou diversas áreas da vida, mas geralmente não recebem a ajuda necessária por não terem todas as características que configurem a síndrome, passando longe do radar diagnóstico. O tratamento e apoio que eventualmente necessitem pode ser muito similar ao que costuma ser direcionado aos portadores da síndrome de Asperger; nota do tradutor.


Seção A: Pensamento Profundo

  1. Pensa profundamente
  2. Boa escritora, inclinada à poesia
  3. Muito inteligente
  4. Vê as coisas em múltiplos níveis
  5. Analisa a existência, o significado da vida, e tudo em torno continuamente
  6. Séria e honesta quanto ao que acha de algo ou alguém
  7. Não presume as coisas como certas²
  8. Não simplifica, tudo é complexo
  9. Geralmente se perde nos próprios pensamentos e tem brancos, lapsos, ausências (olhar parado no infinito)

² A autora se refere ao hábito frequente das pessoas darem as coisas como certas sem que tenham uma real confirmação disso. Por exemplo, quando alguém diz “Vai dar tudo certo” ou “Não se preocupe, a encomenda vai chegar”, não há qualquer confirmação de que a situação vá dar realmente certo ou de que a encomenda vá de fato chegar, mas afirmações como estas costumam ser aceitas sem questionamentos.

 

Seção B: Inocência

  1. Ingênua
  2. Honesta
  3. Não consegue mentir
  4. Acha difícil entender manipulação e falsidade
  5. Acha difícil entender comportamento violento
  6. Facilmente enganada
  7. Abusada ou lhe tiraram vantagem na infância, mas não contou a ninguém

 

Seção C: Escape e Amizade

  1. Sobrevive às emoções intensas através do pensamento ou ação³
  2. Escapa regularmente através de fixações, obsessões e interesse intenso em certos assuntos
  3. Escapa rotineiramente através da imaginação, fantasia e do sonhar acordada
  4. Escapa através de racionalização
  5. Filosofa continuamente
  6. Teve amigos imaginários na infância ou juventude
  7. Imita pessoas de filmes ou da TV
  8. Tratava os amigos como “peões” na segunda metade da infância, que serviam para o preenchimento de papéis
  9. Faz amizades com pessoas fora do seu círculo de idade, ou mais velhos, ou mais novos
  10. Imita amigos em estilo, vestimenta ou modos
  11. Coleciona e organiza objetos obsessivamente
  12. Domina a arte da imitação
  13. Escapa ouvindo a mesma música muitas e muitas vezes
  14. Escapa através de algum relacionamento (real ou imaginário)
  15. Gosta de lidar com números
  16. Escapa através de contagens, categorizações, organizações, reformulações
  17. Se isola em cantos ou outras salas em festas
  18. Não consegue descansar ou relaxar devido aos pensamentos sem fim
  19. Tudo tem um propósito4

³ A autora se refere a não dar vazão total aos sentimentos num primeiro momento, bloqueando-os ou dosando sua manifestação ao longo de vários dias, ou liberando-os apenas após algum tempo da situação estressora ocorrida, como forma de sobreviver à intensidade emocional, geralmente buscando alguma atividade para “descarregar” a angústia ou apresentando excesso de racionalização da situação.

4 A autora se refere ao fato de buscar explicação para tudo, de sempre buscar a verdade por trás dos fatos, de não sentir tranquilidade com afirmações do tipo “Não adianta pensar nisso”, “É assim por que as coisas são assim e pronto”, “É assim por que Deus quer”.

 

Secão D: Comorbidades

  1. TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo)
  2. Questões sensoriais (visão, som, textura, cheiro, gosto)
  3. AG (Ansiedade Generalizada)
  4. Sensação de perigo à espreita ou condenação, ruína
  5. Sentimentos opostos intensos (depressão/super alegria; frieza/super sensível)
  6. Tônus muscular pobre, juntas muito flexíveis ou falta de coordenação; deixa cair objetos com frequência
  7. Desordens alimentares, obsessões com comida e/ou preocupação com o que se come
  8. SRI (Síndrome do Intestino Irritável) ou problemas gastrointestinais
  9. Fadiga crônica ou problemas com o sistema imunológico
  10. Não diagnosticada ou diagnosticada incorretamente com outros transtornos mentais ou hipocondria
  11. Questiona muito seu lugar no mundo
  12. Se pergunta quem é e o que esperam dela
  13. Busca pelo certo e o errado5
  14. Desde a puberdade, tem picos de depressão
  15. Esfrega as unhas ou as mãos uma na outra, tem o hábito de sentar sobre as mãos ou coloca-las entre as pernas, tem algum tique ou parece ter pigarro com frequência

5 Geralmente de modo rígido, 8 ou 80, ou seja, algo ou alguém é bom ou não é, não existe “mais ou menos”.

 

Seção E: Interação Social

  1. Amigos desapareceram de repente sem que se ficasse sabendo o motivo
  2. Tendência a compartilhar demais da sua vida pessoal
  3. Deixa escapar detalhes de sua vida pessoal a estranhos
  4. Levantava muito a mão nas aulas ou nunca participava
  5. Pouco controle do que falava quando mais jovem
  6. Monopoliza a conversa com frequência
  7. Traz o assunto da conversa de volta para as próprias questões
  8. É percebida, às vezes, como narcisista e controladora (embora não seja narcisista)
  9. Soa afobada, ansiosa e hiper zelosa às vezes
  10. Segura muitos pensamentos, ideias e sentimentos dentro de si
  11. Sente como se estivesse tentando se comunicar corretamente
  12. Fica obcecada com um relacionamento em potencial, principalmente romântico
  13. Confusa quanto a como agir em termos de contato ocular, tom de voz, proximidade corporal ou postura numa conversa
  14. A conversa pode ser exaustiva
  15. Questiona as ações e comportamento de si mesma e dos outros continuamente
  16. Sente como se faltasse o “gene” da conversação ou um “filtro” mental
  17. Estudou as interações sociais através de leituras, observação ou cursos a respeito
  18. Visualiza e pratica como vai falar ou agir com os outros antes de fazê-lo
  19. Pratica mentalmente o que vai dizer ao outro antes de entrar na sala
  20. Dificuldade em filtrar o barulho de fundo quando falando com as pessoas
  21. Tem um diálogo interno mental contínuo sobre o que vai dizer ou como vai agir em situações sociais
  22. O senso de humor às vezes parece estranho ou atípico
  23. Quando criança, tinha dificuldade em saber quando era sua vez de falar
  24. Acha as normas de conversação confusas

 

Seção F: Encontra Refúgio Quando Sozinha

  1. Sente extremo alívio quando não tem que ir a lugar nenhum, falar com ninguém, fazer ligações
  2. Uma visita em casa pode ser percebida como ameaça
  3. Saber pela lógica que uma visita não é ameaça não ajuda a aliviar a ansiedade
  4. Sentimentos de medo, angústia, extrema ansiedade quanto a eventos ou compromissos cuja data se aproxima
  5. Saber que precisa sair de casa causa ansiedade desde o momento em que acorda
  6. Todos os passos para sair de casa são esmagadoramente exaustivos de se pensar
  7. Técnicas de falar consigo mesma positivamente não aliviam a ansiedade
  8. Requer grande quantidade de tempo sozinha
  9. Sente-se culpada após passar muito tempo envolvida em algum de seus interesses especiais
  10. Sente-se bastante desconfortável em banheiros públicos ou vestiários
  11. Sente-se mal em lugares cheios de pessoas

 

Seção G: Sensibilidade

  1. Sensível aos sons, texturas, temperatura ou cheiros, em especial quando está tentando dormir
  2. Emprega energia e esforço adaptando o ambiente na tentativa de obter o máximo de conforto
  3. Os sonhos tendem a ser vívidos, com conteúdo repleto de ansiedade, complexos e às vezes até premonitórios
  4. Altamente intuitiva quanto aos sentimentos dos outros
  5. Não entende como não levar críticas para lado pessoal
  6. Anseia por ser vista, ouvida e compreendida
  7. Sempre se pergunta se é uma pessoa “normal”
  8. Bastante suscetível aos pontos de vista e opiniões dos outros
  9. Por vezes, adapta sua visão de mundo ou ações com base nas opiniões e palavras das outras pessoas
  10. Reconhece suas limitações em muitas áreas diariamente
  11. Teme a opinião, crítica e julgamento alheio
  12. Abomina palavras, brincadeiras ou eventos que machuquem animais ou pessoas
  13. Resgata e abriga animais abandonados (principalmente na infância)
  14. Extrema compaixão pelo sofrimento
  15. Sensível a substâncias (medicamentos, toxinas, comida, álcool, etc.)
  16. Geralmente tenta ajudar, oferece conselho que não foi pedido, ou mesmo se antecipa em planos e ações
  17. Questiona o propósito da vida e como ser uma pessoa melhor com frequência
  18. Procura avidamente compreender habilidades ou talentos que possua

 

Seção H: Sentido de Si Mesma

  1. Sente-se aprisionada, em eterno conflito, por querer ser ela mesma e querer se enquadrar
  2. Imita os outros sem perceber
  3. Sufoca seus reais desejos
  4. Exibe comportamento codependente6
  5. Rejeita ou questiona normas sociais
  6. Tem sentimentos de extremo isolamento
  7. Sentimentos de não se encaixar em lugar algum, como se fosse de outro planeta
  8. Tem sentimentos de confusão e de sobrecarga
  9. Sentir-se bem quanto a si mesma geralmente é difícil
  10. Muda de preferências com base no ambiente e nas outras pessoas
  11. Não se importava com aparência, roupas ou higiene até a puberdade ou até que alguém tenha apontado isso para ela
  12. A voz pode soar muito jovem para a idade cronológica
  13. Problemas em perceber como é fisicamente e/ou leve prosopagnosia (dificuldade em reconhecer ou se lembrar de rostos)

6 Codependência: é um termo da área de saúde mental usado para se referir a pessoas que se vinculam excessivamente a alguém que costume apresentar comportamentos disfuncionais, dependentes e destrutivos, tais como abuso de substâncias, transtornos de conduta, transtornos mentais, comportamento abusivo, agressivo ou perverso. O codependente acaba suportando e se submetendo à problemática do outro, mesmo que isso signifique abrir mão da própria segurança, bem-estar ou qualidade de vida, colocando as necessidades do outro acima das suas próprias, anulando-se na relação. É comum que desenvolvam duplo vínculo6.1.. 6.1 – Duplo vínculo: é um conceito da psicologia para se referir a relacionamentos contraditórios onde são expressados comportamentos de afeto e agressão simultaneamente. (Fonte: Wikipedia, acessado em 10/10/2017)

 

Seção I: Confusão

  1. Sofreu e demorou para aprender que os outros não são honestos
  2. Os sentimentos parecem confusos, ilógicos ou imprevisíveis (de si mesma e dos outros)
  3. Confunde datas e horários de compromissos, números ou outras datas diversas
  4. Fala franca e literal (especialmente quando mais jovem)
  5. Dificuldade em entender piadas ou gírias, geralmente tem entendimento literal
  6. Não compreende quando os outros isolam alguém num grupo, demonstram preconceito, ignoram, enganam ou apunhalam pelas costas
  7. Problemas em identificar sentimentos a menos que sejam extremos
  8. Sentimentos pessoais de raiva, ultraje, amor intenso ou medo parecem mais fáceis de serem identificados que sentimentos de alegria, satisfação e serenidade
  9. Situações e conversas são muitas vezes percebidas como 8 ou 80
  10. Experimenta sentimentos intensos por coisas aparentemente pequenas

 

Seção J: Palavras e Padrões

  1. Gosta de saber a origem das palavras
  2. Confusa quando há mais de um significado para uma palavra
  3. Alto interesse em músicas e letras de músicas
  4. Nota padrões com frequência
  5. Lembra-se de coisas em padrões visuais
  6. Tem excelente memória para certos detalhes
  7. Escreve ou cria para aliviar ansiedade
  8. Tem certos “sentimentos e emoções” quanto a certas palavras
  9. Palavras trazem uma sensação de conforto e paz

 

Seção K: Função Executiva (esta área nem sempre é tão evidente quanto as outras)

  1. Tarefas simples podem ser muito problemáticas
  2. Aprender a dirigir pode ser muito difícil
  3. Lugares novos geram sempre ansiedade
  4. Qualquer coisa que requeira procedimentos que devam ser seguidos em passos, precisão ou tecnicidade podem gerar pânico
  5. O pensamento de consertar ou procurar algo pode causar ansiedade
  6. Tarefas corriqueiras são fortemente evitadas
  7. A tarefa doméstica de limpeza pode ser insuportável às vezes
  8. Pode sair de casa com meias trocadas, roupa do avesso, camisa abotoada incorretamente
  9. Pode ter problemas em copiar passos de dança ou ginástica

 

 

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57 comentários sobre “Lista de Traços em Mulheres com a Síndrome de Asperger, por Samantha Craft

  1. Eu não sei em qual dos casos seria pior ser aspie: sendo homem ou sendo mulher. De qualquer forma, apesar de eu ter muitas (muitíssimas) críticas à minha condição, sei que os aspies são muito especiais e eu não teria problema em me relacionar com uma mulher que tenha a síndrome. Só não sei se os neurotípicos pensam da mesma forma. Enfim… Parabéns novamente pelo seu texto e muito obrigado por trazer essa informação tão importante em português.

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    • Na verdade, certas coisas são uma questão de perspectiva. Ser Aspie no Brasil é muito mais difícil que ser Aspie na Inglaterra, por exemplo. No Brasil, a cultura é “excessivamente neurotípica”, ou seja, também existe um desequilíbrio, quase como se houvesse uma “síndrome neurotípica”, o que aumenta ainda mais a distância entre um e outro perfil. Além disso, se mais pessoas fossem Aspies do que não, o padrão de normalidade seria outro, ou seja, quem nunca se enquadraria seriam os neurotípicos. Tem uma frase da Morticia Addams bem bacana: “Normal é uma ilusão. O que é normal para a aranha, é o caos para a mosca.” Obrigada por suas ricas contribuições e por seguir o blog!

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    • Procure um que realmente entenda de Asperger e/ou autismo de alto funcionamento. Leia bastante e informe-se antes da consulta, para saber se o médico entende mesmo do quadro quando ele começar a falar com você. Seja bem vinda ao blog!

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    • Eu sugeriria que você procurasse um psiquiatra ou neurologista para avaliação formal, mas é importante que o profissional escolhido entenda de Asperger e/ou autismo de alto funcionamento. Leia bastante e informe-se antes da consulta, para saber se o médico entende mesmo do quadro quando ele começar a falar com você, pois infelizmente ainda há muitos profissionais equivocados e cheios de estereótipos quanto ao que seja, de fato, o autismo. Seja bem vinda ao blog!

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    • Olá. Um psiquiatra. Neurologistas podem ser também uma opção. Se você for a um profissional que não valide suas suspeitas ou não lhe dê uma explicação plausível do motivo dele achar que você tem Asperger ou não, procure outro. Há profissionais pouco informados em todos os lugares, inclusive nas áreas em que esperaríamos que eles devessem saber de tudo isso muito bem, pois o transtorno de Asperger ainda é relativamente novo, não há muita coisa em português, e é mais desconhecido ainda quanto se trata de mulheres com o quadro. Com essa numeração, acima de 80%, certamente existem muitos traços em você. Sugiro que se informe bem sobre a síndrome antes da consulta para poder conversar melhor com o médico e avaliar se o que ele diz faz sentido também. Muitos dos mesmos traços de Asperger estão presentes em homens, mulheres e crianças, então conhecendo a síndrome de um modo geral, mesmo que a informação não seja exclusivamente para mulheres, já lhe permitirá compreender o essencial. Boa sorte.

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      • Olá! Fui pré diagnosticada com Asperger e preciso de ajuda, apenas 2% das característas em geral não bateram que é no caso de confundir os números e aprender passos de dança, inclíno-me a memória fotográfica para estes feitos. Mas estou com dificuldade em socializar. Ao meu ver estou bem em casa, mas minha mãe prefere que eu saia para fazer amigos… E tem um rapaz que gosto dele mas nunca falei diretamente, eu o-namoro em meu imaginário. Acho que nasci na época errada, no lugar errado.

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      • Olá! Pelo que você relata, acho que seria de grande benefício a você caso pudesse fazer um acompanhamento psicológico, pois um psicólogo pode ajudá-la a lidar com essa questão social, cobranças da família e suas angústias pessoais. Pessoas com Asperger precisam, muitas vezes, de ajuda para compreenderem o mundo, onde a maioria das pessoas são neurotípicas, e para se compreenderem e encontrarem uma forma mais confortável de serem elas mesmas. Pense na sugestão, ok? Abraço e obrigada pelo comentário. Boa sorte.

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  2. Bom dia, Audrey! Sabe aonde posso encontrar um profissional que entenda do assunto aqui, no Rio de Janeiro? Não tenho tido muita sorte. Pode indicar algum terapeuta para desenvolver melhor a fala e a forma de se expressar em adultos? Grata!

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    • Olá! Infelizmente, não conheço profissionais no RJ, mas vou te indicar um grupo no Facebook, administrado por Claudia Hakim, que é alguém que muito provavelmente conseguirá te indicar alguém, pois ela tem referências de profissionais em muitos estados do Brasil. Peça para entrar no grupo e aguarde a confirmação dela, depois você poderá, inclusive, acompanhar os assuntos por lá. Embora não seja um grupo voltado para adultos com Asperger, certamente muitos pais de crianças por lá têm Asperger também. Quanto a um profissional para desenvolver a fala, se for alguma dificuldade articulatória (pronunciar corretamente as palavras, por exemplo), o ideal seria procurar um fonoaudiólogo, mas se a dificuldade for em ser mais assertivo na comunicação, um psicólogo, especialmente um que atue na linha comportamental, é mais indicado, algo que você pode aproveitar e perguntar sobre indicação no grupo da Claudia Hakim também. Abraço e seja sempre bem-vinda ao blog! Link do grupo: https://www.facebook.com/groups/1579068685680488/?fref=nf&__xts__%5B0%5D=68.ARCtDnieU5aOSV0Umo5YnwyR7dgscjq3Cf075yIpMXAZ6t98FdUUQMsD9G_PxfqBWAQ_vwEu6D7IKrJ-bXZixpyAz88pjRAdm7cm_hDvBzYX4J4xt4n7n4t0n2XV-rrp6WIkcfrYjmC3&__tn__=C-R

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      • Ok, Audrey, muito obrigada pela orientação. Apesar de a Síndrome de Asperger ser bem comum, é difícil encontrar um profissional que realmente domine o assunto. Será falta de interesse?Ou será falta de conhecimento mesmo? Abraços e, mais uma vez, muito obrigada! Vou acompanhar seu blog.

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  3. Sônia Roméro, a síndrome de Asperger, na verdade, não é comum. Atinge cerca de 1 a 2% da população. Temos a sensação de ser comum, às vezes, pois a Internet consegue reunir grupos de pessoas com Asperger, que de outra forma estariam espalhadas pelo mundo e seriam difíceis de contatar, e quando participamos desses grupos, fica a sensação de que “todo mundo tem” a síndrome. Como é um quadro complexo e a maior parte da informação a respeito ainda é encontrada sobretudo em inglês, acredito que a falta de conhecimento dos profissionais se deva à falta de informação mesmo, e não necessariamente à falta de interesse, embora, claro, esse também possa ser um fator, afinal, profissionais da saúde, muitas vezes, costumam se especializar em assuntos que lhes ofereçam uma maior clientela no futuro, por exemplo, um endocrinologista terá muito mais pacientes do que um especialista em autismo, já que cerca de 10% da população brasileira tem diabetes e 40% tem colesterol elevado. Obrigada pelo comentário e seja sempre bem-vinda ao blog!

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    • OI, Audrey! Obrigada pela pronta resposta! Depois que descobri que uma pessoa muito próxima de mim é portador da síndrome de Asperger, comecei a prestar atenção no comportamento de outras pessoas que costumam incomodar mais do que o normal, seja por falarem demais, em volume alto, ou por serem muito inconvenientes, e que também se vestem ou usam o cabelo de forma nada convencional, que não ligam muito (ou nada!) com o que os outros vão pensar e que, apesar de serem muitas vezes ingênuas e crédulas e de enfrentarem deboches e risadas de outras pessoas, costumam destacar-se em conhecimento ou em habilidades específicas. São pessoas com a saúde frágil, do tipo alérgicas e/ou com problemas gastrointestinais, e com transtornos de ansiedade. Também costumam não gostar de beijos e abraços. Enfim, não sei se o meio que eu frequento tem muita gente com esses e outros sintomas mas, talvez! Tenho formação em belas artes, e tem muita gente excêntrica/bizarra nesse meio, e meu marido é engenheiro/ pesquisador, e tem muito portador da Síndrome de Ásperger nessa área por causa do raciocínio lógico, típico deles. Mesmo assim, acho essa estatística (1 a 2% da população) vaga demais, até como estimativa, uma vez que existem portadores da síndrome que ainda não receberam o diagnóstico e que, muito provavelmente, nunca irão receber, já que os próprios profissionais da área ainda não são tão bem informados a respeito e a população, no geral, desconhece o assunto. Mas, foi bom encontrar um blog para se trocar ideias e conhecimentos a respeito; é, sem dúvida alguma, edificante. Abçs e parabéns pela iniciativa.

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  4. Olá Audrey! Parabéns pelo excelente material. Faço acompanhamento há 8 anos para algumas comorbidades e nunca cogitou-se Asperger, mas estudando um pouco o assunto resolvi pedir avaliação do meu terapeuta e ele discorda. Como parece não ter muita experiência no tema estou em avalição pois pedi uma segunda opinião. É muito bom dar um nome e um rosto a essa confusão que é a nossa vida, e sinceramente estou até torcendo para o diagnóstico ser positivo, pois me esforço muito para “dar certo” como pessoa mas em muitos aspectos minha vida é frustrante. E não tem como ser diferente, sendo neurodiverso e tentando se enquadrar no mundo neurotipico. No teste me enquadrei em 96% dos aspectos.
    Um abraço e obg por socializar estas informações.

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    • Olá! Obrigada pelo comentário. Se você se enquadrou em 96% da lista, a probabilidade de você ter Asperger é praticamente certa. Procure a avaliação de um psiquiatra, pois geralmente eles entendem melhor do quadro, embora nem todos. Se você quiser me enviar um e-mail descrevendo as principais coisas que são dificuldades em sua vida, posso contribuir com uma opinião a mais. Fique à vontade para enviar um e-mail na minha caixa pessoal: audreybueno@gmail.com. Seja sempre bem-vinda ao blog.

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  5. Olá 😊 fiz o teste e tenho pelo menos 96 itens assinalados. Alguns não entendi bem. Que acham? Acham que significa alguma coisa? E ja agora será que me podiam esclarecer sobre o que quer dizer a abreviatura FAA mencionada em cima? Obrigado

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    • Olá, Marisa. Uma pontuação de 96 itens equivale a 67% de correspondência com um quadro feminino de Asperger. Isso significa que é mais provável que você tenha alguns traços da síndrome, embora não a síndrome completa. Esse costuma ser o caso nos quadros de FAA, cuja sigla quer dizer “Fenótipo Ampliado do Autismo”, ou seja, a pessoa tem propensão genética ao autismo e já apresenta alguns traços, e esses traços podem requerer tratamento similar ao que uma pessoa com Asperger precisaria, pois já são suficientes para causar certas dificuldades que impactem a vida significativamente. No entanto, você comentou que não entendeu muito bem alguns itens da lista, o que pode ter alterado o resultado final para mais ou para menos. Sugiro que você avalie o quanto certas áreas da sua vida são de difícil manejo e, sentindo necessidade de apoio, busque um profissional (neurologista ou psiquiatra, preferencialmente o último) para uma avaliação mais adequada. Obrigada pelo comentário. Seja sempre bem-vinda ao blog. (PS: sua dúvida sobre a sigla FAA pode ser a de muitos, portanto, providenciei uma edição na publicação mencionando o significado da abreviação. Obrigada.)

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  6. Pingback: Amor e Síndrome de Asperger | Síndrome de Asperger

  7. Já fui diagnosticado com a Síndrome a oito anos mas nunca havia feito o teste. Deu 119 de 144, o que indica que o diagnóstico não estava errado. Aprendi a lidar com a Síndrome nesses últimos anos e gosto de dizer que até me dou bem com ela. Tenho um grupo de amigos numeroso até pra neurotípicos e todos sabem do fato de eu ser aspie, apesar de que alguns ainda olham pra mim sem compreender a dificuldade de ter o Asperger em alguns momentos. Naturalmente, minha vida amorosa é pouquíssimo movimentada muito fruto das dificuldades que o teste me mostrou

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  8. Adorei o Blog! Obrigada pela ajuda. Sou Aspie não diagnosticada por conta da falta de sensibilidade dos profissionais aos quais me direcionei para obter uma certeza, mas assim como muitos, não encontrei o que procurava. Ao menos tenho conforto de estar ciente e ainda mais, ter chance de crescer e ultrapassar alguns obstáculos que estão no teste acima todos os dias!

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    • Sua realidade é a realidade de muitas mulheres com Asperger. Se os profissionais de saúde mental já têm dificuldade em diagnosticar homens com a síndrome, maior ainda é a dificuldade em diagnosticar mulheres. Isso se deve a alguns fatores: o perfil Asperger típico em homens se apresenta de forma diferente nas mulheres; a maior parte da literatura é sobre homens com Asperger e se o médico não pesquisou e não domina o inglês (que é o idioma onde se encontram a maioria absoluta de materiais sobre mulheres com Asperger), dificilmente ele terá uma compreensão clara que como a síndrome se apresenta em mulheres; médicos geralmente embasam seus diagnósticos em índices de frequência de ocorrência daquele quadro na população, e como homens com Asperger são diagnosticados com mais frequência que mulheres (cerca de 4 homens para cada mulher), eles raramente desconfiam dessa hipótese num primeiro momento, e acabam optando pelos índices mais comuns de diagnósticos em mulheres, que são o Transtorno Bipolar e o Transtorno Borderline. Há muitos casos em que mulheres com Asperger são diagnosticadas com um desses dois transtornos, por serem considerados transtornos “comuns de ocorrência em mulheres” quando, na verdade, o real diagnóstico seria síndrome de Asperger. Também é muito comum que mulheres com Asperger acabem se autodiagnosticando muito antes de encontrarem um especialista que valide tal diagnóstico, pois um dos traços comuns em mulheres com a síndrome é que sejam investigativas, com inteligência geralmente superior à média e obstinadas em obterem o máximo de informação sobre o quadro, de modo que tenham plenas condições que chegarem a uma autoavaliação eficiente, não sendo incomum que acabem por angariar um nível de informação superior ao do próprio médico. Por isso, se você se percebe enquadrada em muitas das características de Asperger, confie na sua avaliação e, caso necessite de um diagnóstico oficial, não desista de procurar um médico que realmente entenda do quadro. Se não precisar de diagnóstico formal, siga utilizando dicas e informações sobre a síndrome que ajudem você no dia a dia, e valide a si mesma em primeiro lugar. Obrigada pelo comentário. Seja sempre bem-vinda ao blog.

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  9. 106 de 144, embora desses 106 pelo menos uns 14 eu aprendi a mascarar após meus 20 anos, alguns com relação a ingenuidade eu aprendi da pior maneira possível (pessoas usando contra mim), e muitos relativos a ansiedade eu consegui resolver com psicoterapia.

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    • Ao que tudo indica, seu funcionamento parece estar na divisa entre neurodiverso e neurotípico (apesar de pender mais para a neurodiversidade), pois parece haver alta funcionalidade dados os progressos que você conseguiu obter, que muitos Aspies não conseguem. Alguns obtêm progresso através da psicoterapia, mas muitos só conseguem melhora com o uso de medicação, especialmente para os casos de depressão e ansiedade. Infelizmente, pessoas com Asperger são frequentemente vítimas de pessoas com má índole e sofrem bastante até aprenderem que não se pode confiar tão facilmente nos outros. Que mais pessoas com Asperger consigam melhorar a angústia e sofrimento na vida e lidarem melhor com a ansiedade, como você fez. Obrigada pelo comentário e seja sempre bem-vinda ao blog.

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  10. O meu deu 120 de 144, embora ache que algumas coisas na lista são meio que pessoais para o tipo de interesse da pessoa, por exemplo escrever com foco em poesia ou algo assim, no meu caso eu prefiro muito ler do que escrever. Tbm tive dificuldade nas coisas relacionadas a amigos, pois não consigo ser próxima a alguém ao ponto de ser tornar uma amizade de verdade.

    Preciso procurar um psiquiatra para confirmar meu diagnostico, pois só tenho da minha psicologa. Alguém sabe como escolher um que saiba avaliar asperger em mulheres? Pois já vi muitos casos de gente que não foi diagnosticada por que conseguia falar mais diretamente e olhar nos olhos, coisas que geralmente são mais masculinas.

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    • Olá. Respondi a algumas dessas dúvidas em seu outro comentário, no artigo sobre o diagnóstico depois de adulto. Essa questão de não obter o diagnóstico porque se consegue olhar nos olhos ou se expressar só ocorrerá se o profissional não for bem informado sobre o autismo leve em adultos, independentemente de ser um homem ou uma mulher, pois essa questão do olhar nos olhos e da comunicação não necessariamente difere por conta do gênero.

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    • Essa pontuação sugere maior probabilidade de haver traços da síndrome, em vez da síndrome completa. Porém, o teste não substitui a avaliação de um psiquiatra. Além disso, é possível que, ao preencher, algumas perguntas não tenham sido interpretadas de acordo, o que pode elevar ou reduzir a pontuação, por isso, poderia ser uma boa ideia fazer o teste novamente. No entanto, se você procurou sobre o assunto e se propôs a fazer o teste, é provável que tenha algumas das características do quadro que lhe causem dificuldade no dia a dia, de modo que justifique a procura por avaliação psiquiátrica ou a busca por um psicoterapeuta que possa ajudá-la a pensar melhor sobre suas questões. Obrigada pelo comentário. Seja sempre bem-vinda ao blog.

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  11. Meu Deus, cravei 115!
    Sempre me senti de outro mundo! Sonhadora demais, presa no meu mundo, pouco produtiva!
    Movimentos repetitivos, Como mexer/enrolar exaustivamente cordinhas ou barbantes pode ter relação com a síndrome de Asperger?

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    • A menor produtividade costuma estar relacionada a déficits na função executiva do cérebro, comum no espectro do autismo (para saber mais, acesse: https://sindromedeasperger.blog/2017/08/31/autismo-e-prejuizo-no-lobo-frontal/ ) . Asperger pertence a este espectro, então muitas características comuns no autismo estão presentes em pessoas com esta síndrome. É frequente no autismo o interesse por padrões giratórios, que relaciona-se à forma de configuração do sistema neurológico. Muitas crianças no espectro do autismo apresentam interesse por máquinas de lavar, observação do movimento da água em lavatórios, ficar girando rodas de carrinhos, tampas ou outros objetos ((note que em todos esses interesses, há movimento giratório). O ato de enrolar (cabelo, cordas, etc.) é um movimento giratório. Seja sempre bem-vinda ao blog.

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      • Obrigada.
        Estou chocada e ao mesmo tempo aliviada em saber que posso ter autismo. Por que as coisas parecem se encaixar.
        Outras coisas que lembro da minha infância até a adolescência: sair correndo do nada, girar. De vez em quando agitava as mãos de forma estranha.
        Necessidade de isolamento (até hoje).
        Mundo à parte. Me desligar de vez em quando.
        Depois da adolescência e até hoje: ansiedade constante, o tempo todo. Picos de depressão.

        Devo procurar um psicólogo ou psiquiatra?

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  12. Fiz inúmeros testes (nesse marquei 117 itens) e pesquisas (tanto nacionais quanto internacionais) e tudo indica que tenho a Síndrome de Asperger, mas ao falar sobre isso com minha psicóloga, ela disse que eu não tenho, pois ela tem um outro paciente (menino) que tem Asperger e eu sou bem diferente dele. Como devo proceder nesse caso? Devo continuar pesquisando e me aprofundando no assunto ou aceitar o que ela disse ?

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  13. Sentindo-me profundamente aliviada, porém, exausta por considerar toda essa realidade em mim.
    Uma vez que sempre lidei com essas características considerando que todos são assim, por outro lado, tão diferente e isolada de todos.
    Fico grata por todo seu trabalho !
    No momento, meu desgaste emocional me impedem de considerar que eu seja capaz de realizar algo nessa área, mas sei que me traria muita alegria.

    Estou cheia de contradições, como sempre. Organizar o mundo interno e externo, continuam sendo um desafio.
    Abç.

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    • Os seres humanos são contraditórios por natureza. Nunca é pacífico lidar com os opostos dentro de nós. Porém, pessoas com Asperger costumam enfrentar um desafio extra, pois tendem a um estilo de pensamento mais lógico e extremado (8 ou 80), com dificuldade para habitar a linha do meio. Isso faz com que a lógica entre em colapso por tentar lidar com as ilógicas inconstâncias humanas, muitas das quais são massivamente presentes na forma com que a sociedade se organiza, e a necessidade de escolher um lado (8 ou 80) gera angústia e confusão, pois quando se escolhe um lado, percebe-se que o outro também está lá. Pessoas com funcionamento típico, ou seja, as que não estão no espectro do autismo, têm mais facilidade em aceitar a contradição, por serem menos rígidas e lógicas, e também por as perceberem com menos intensidade e precisão. O ditado popular “O que os olhos não veem, o coração não sente” tem uma verdade, pois quanto mais se vê, mais se sente, e pessoas com Asperger veem muita coisa que a população típica (fora do espectro autista) não vê. Entendo o seu alívio, pois substituir rótulos morais injustos pela compreensão de si mesmo é sempre libertador. Este é um alívio que muitas pessoas com Asperger sentem ao se darem conta de que estas diferenças são devidas a um tipo diferente de funcionamento mental, que não é melhor ou pior, apenas diferente, e que tem vantagens e desvantagens, como ocorre com qualquer humano, pois, de uma forma ou de outra, todos temos pontos fortes e limitações derivadas da constituição de cada um, constituição essa que ocorre espontaneamente na natureza e que não escolhemos ou temos o controle que achamos que temos. Obrigada pelo comentário e seja sempre bem-vinda ao blog.

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