O Lado Negativo da Síndrome de Asperger para os Homens

Artigo original escrito por Mark Hutten

Tradução de trechos do artigo por Audrey Bueno

Muitos homens com a síndrome de Asperger (SA) – também referido como “autismo de alto funcionamento” – nunca foram diagnosticados e são percebidos como excêntricos, um pouco estranhos ou solitários. Se você estiver num relacionamento com um homem no espectro do autismo, você provavelmente já deve ter notado muitos dos traços listados abaixo. […]

Homens com Asperger geralmente têm alguns dos seguintes traços, que irão variar tanto em número quanto em nível de severidade de pessoa para pessoa […]:

  1. Geralmente vivem “num mundo próprio deles”
  2. A atenção é estreitamente focada em seus interesses pessoais
  3. Podem ser obsessivos
  4. Podem ser preocupados sobretudo com os próprios planos
  5. Podem ser muito críticos de si mesmos e dos outros
  6. Podem ser bastante defensivos quando alguém pede maiores explicações ou solicitam alguma solidariedade ou compaixão
  7. Podem engajar em atividades (às vezes mundanas) por horas a fio
  8. Podem tornar-se obcecados em terem amigos para provar que são “normais”
  9. Podem geralmente ser distantes física e/ou emocionalmente
  10. Podem passar horas pesquisando seus assuntos de interesse
  11. Colecionam coisas
  12. Há desejo por amizades e contato social, mas apresentam dificuldade em fazer amizades ou mantê-las
  13. Dificuldade em compreender os sentimentos dos outros
  14. Nem sempre reconhecem rostos prontamente (às vezes até mesmo de familiares)
  15. Acham as emoções confusas e desconfortáveis
  16. Grande dificuldade com conversa superficial social trivial ou bate-papo
  17. Têm uma necessidade forte em oferecer informação, de tal forma que possam soar rudes ou como se o que tivessem dito fosse um insulto
  18. Foco intenso em um ou dois assuntos em especial
  19. Falta de empatia com certa frequência
  20. Falta de interesse em outras pessoas
  21. Podem ser bem rígidos quanto ao que gostam ou não
  22. Interesses restritos
  23. Podem ser desastrados ou terem movimentos corporais descoordenados
  24. Podem achar a necessidade da(o) parceira(o) em “conectar-se” sufocante
  25. Podem ter uma expressão facial neutra ou “em branco” na maior parte do tempo
  26. Podem ter dificuldade em dizer “eu te amo” ou em expressar afeto fisicamente
  27. Têm forte necessidade de isolamento e solidão
  28. Podem ter personalidade excêntrica
  29. Podem ter apego incomum a objetos
  30. Podem ter dificuldade em permanecer na universidade apesar da alta inteligência
  31. Podem fazer poucas tentativas em manter uma amizade ativa
  32. Podem fechar-se em situações sociais
  33. Problemas com a comunicação não-verbal (como dificuldade em ler linguagem corporal, expressões faciais e tom, por exemplo)
  34. Geralmente sentem como se a(o) parceira(o) estivesse sendo ingrata(o) ou mau caráter quando reclama (por exemplo, ao dizer “você não liga pra mim” ou “você nunca me ouve”)
  35. Geralmente levam tudo num nível pessoal
  36. Rotinas repetitivas ou rituais
  37. Comportamento social rígido devido à dificuldade em adaptar-se espontaneamente às variações nas situações sociais (dizem sempre a mesma frase de expressão de afeto, servem sempre a mesma coisa ao receber visitas, etc.)
  38. Sensibilidade quanto às texturas dos alimentos
  39. Determinados, rígidos nas decisões
  40. Peculiaridades na linguagem ou discurso, ou quando crianças podem ter tido algum atraso de linguagem
  41. Forte sensibilidade sonora, visual, olfativa, do paladar ou toque
  42. Discurso repetitivo (por exemplo, podem frequentemente repetir o que você acabou de falar)

 

De modo algum, a informação acima tem o objetivo de desencorajar relacionamentos com homens com Asperger. Novamente, esses traços são parte de uma desordem. Estes homens frequentemente dão o melhor de si num relacionamento. Mas infelizmente, é muito comum que a(o) parceira(o) neurotípica(o) (ou seja, sem Asperger) veja esses traços como “defeitos que poderiam ser corrigidos se o homem apenas se empenhasse mais”, resultando na(o) parceira(o) sentir-se depreciada(o), não amada(o) e ressentida(o) […].

 

10 comentários sobre “O Lado Negativo da Síndrome de Asperger para os Homens

  1. Uma das maiores preocupações que eu tenho é em relação às pessoas acharem o meu comportamento “estranho” ou “anormal”, e é óbvio que isto afeta (negativamente) a minha vida amorosa, mesmo porque ela é inexistente. A minha falta de habilidades sociais e o meu medo de ser humilhado (neste caso mais coerente com o Transtorno de Personalidade Esquiva do que com a Síndrome de Asperger) me atrapalham bastante. É realmente muito frustrante você querer muito ter amizades, namorar, e não conseguir simplesmente porque você nasceu com características diferentes e imutáveis sobre as quais não se tem nenhum controle. Enfim… É algo com que estou aprendendo a lidar. Parabéns pelo texto e me perdoe a resposta longa.

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    • Você me parece uma excelente pessoa! Tenho certeza que, sobretudo, o que você mais precisa aprender é a valorizar a si mesmo. Esse medo de ser humilhado que você citou, é possível na síndrome de Asperger também, pois as dificuldades da síndrome fazem com que a pessoa angarie um histórico de frustrações e sentimento de rejeição social, que não só depreciam a autoimagem, como aumentam a insegurança do convívio social e reprovação alheia (= medo de humilhação). Se me permite dar uma sugestão, acredito que um psicólogo possa ser de grande ajuda para percorrer com você esse caminho do autoconhecimento. Se tiver a oportunidade, acredito que poderia ser uma experiência muito rica. Pessoas inteligentes têm especial vantagem nesse tipo de trabalho, pois conseguem aproveitar as sessões psicoterapêuticas muito bem! Abraço!

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      • Eu já faço psicoterapia (além de passar com um psiquiatra, já que os sintomas da SA me levaram a desenvolver uma depressão) e sei que, apesar do pouco tempo de terapia (cerca de três meses), os resultados estão sendo satisfatórios. Contudo, a caminhada para a autoaceitação é bastante longa e árdua, mas que eu tenho que trilhar caso eu queira continuar vivendo. Enfim… Acho que falei demais. Mas, de qualquer forma, muito obrigado pela sua resposta.

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  2. Não falou demais, falou o necessário. Almas profundas sofrem mais. A experiência humana é absurdamente difícil. Inseridos numa sociedade iludida e fútil como a nossa, é mais difícil ainda. Sugiro um filme: Into the Wild (Na Natureza Selvagem, em português).

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  3. Pingback: O Lado Negativo da Síndrome de Asperger para os Homens – Acordo Coletivo (Petroleiros, Bancários, Prof de Saúde)

  4. E qdo a pessoa tem todas as características de um asper e não procura ajuda dizendo que é feliz assim, o que fazer? O meu namorado tem quase todas essas características e diz que é feliz assim.

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    • De fato, quem precisa sentir a necessidade de procurar ajuda é a pessoa que vive as dificuldades de um transtorno. Pessoas com Asperger podem se habituar a serem como são, pois para elas muita coisa que os outros enxergam como transtorno são o jeito natural dela serem. E cada um tem sua razão. Muitas vezes, num relacionamento em que um parceiro é neurotípico (sem Asperger) e o outro tem Asperger, quem costuma vivenciar um sentimento de falta, de carência, é o neurotípico, pois ele nunca terá supridas coisas que são importantes para ele, mas que estão acima das possibilidades do que alguém com Asperger pode oferecer. Em relações assim, em que é preciso mudar a natureza do outro para que sejamos felizes, ainda mais quando essa natureza é de fundo neurobiológico, ou seja, não basta que o outro apenas ‘queira’ mudar, existe um impedimento neurológico para isso e para o próprio modo com que enxerga a situação, acaba restando somente um caminho: ou a pessoa sem Asperger aceita o outro como ele é, ciente de suas limitações, e apreciando as outras coisas que ele tem de bom (como honestidade e sinceridade, por exemplo), ou parte para outro relacionamento, pois infelizmente a pessoa com Asperger dificilmente conseguirá mudar o suficiente para atender as expectativas de um parceiro sem o transtorno, por mais que se esforce e mesmo que procure um acompanhamento terapêutico, que, nesse caso, poderia oferecer melhoras, mas não necessariamente alteraria o funcionamento base da pessoa. Se seu namorado diz que é feliz assim, ele já está dizendo que não irá mudar. Se você pergunta o que fazer, você já está dizendo que não se sente feliz com isso e que não tem conseguido aceitar as coisas como são. Às vezes, o parceiro neurotípico é aquele que acaba se beneficiando de ajuda psicoterapêutica (procurando um psicólogo) para ter alguém que o ajude a pensar em todas as possibilidades que a relação oferece e o que ele pode ou quer fazer em relação a isso. Talvez você queira ler esse artigo da revista Época: http://epoca.globo.com/vida/noticia/2014/04/meu-marido-bnao-entende-b-emocoes.html

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  5. Boa noite me chamo Eduardo tenho 40 anos tenho muitas das coisas citadas na discrição.
    Não gosto de ficar perto de pessoas tais como ônibus sempre acho que esta todo mundo olhando pra min,no meu trabalho não consigo trabalhar em equipe e se tiver alguém conversando perto de mim se estiver no minimo assistindo televisão me tira a concentração totalmente,sempre desde pequeno gosto de ficar isolado em um ambiente escuro se alguém acender a luz fico irritado sem perceber.
    estou escrevendo isso porque sou casado e as vezes não quero ficar nem perto da minha esposa isso esta acabando com meu casamento, procurando algo parecido na internet achei esse site com as maiorias das coisas que tenho pois isso nunca comentei com ninguém sempre achando que iria ser criticado.
    Por favor se alguém souber qual especialista devo procurar?
    Infelizmente não tenho condições de pagar um especialista sabem se consigo pelo sus ou algo assim?
    Por favor.

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    • Olá, Eduardo. Você deve procurar um psiquiatra, pois esse é o especialista que entende o seu tipo de sintoma. É possível, realmente, pela sua descrição, que você esteja inserido no espectro do autismo. Pelo SUS você consegue agendar com um médico psiquiatra. Não deixe de procurar ajuda, pois é muito sofrido sentir essas coisas sem que ninguém o entenda e sem que você receba algum tipo de tratamento de apoio. É muito provável que o psiquiatra te receite alguma medicação para ansiedade e irritabilidade, o que, embora não “cure” o problema, já que não há cura para esse tipo de coisa, pode, ao menos, melhorar significativamente sua qualidade de vida e bem-estar. Boa sorte!

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      • Boa noite doutora.
        Agradeço a sua atenção pelas respostas.
        Parabéns doutora por dedicar algum tempo para tirar duvidas das pessoas pois essa pequena ação ajuda muito as pessoas a tomarem uma iniciativa para um possível tratamento amanhã mesmo já vou procurar um psiquiatra. Muito obrigado.

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