Autismo e prejuízo no lobo frontal

 

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DICA DE LEITURA

Artigo: “Autismo e Funções Executivas: Prejuízo no Lobo Frontal

O artigo traz informações sobre as alterações cerebrais encontradas em pessoas com autismo, levantando a questão da correlação dos comportamentos normalmente observados em autistas com um evidente prejuízo no lobo frontal. O artigo também faz referência a outras áreas afetadas no cérebro e aborda aspectos neuropatológicos e neuropsicológicos.

Autores: 

Roberta de Figueiredo Gomes

Carlo Schmidt

Adriana Gutterres Pereira

Adriana Machado Vasques

Valéria de Carvalho Fagundes

robfg@bol.com.br

 

Abaixo, veja alguns trechos do artigo acima citado.

Nota: destaques feitos para facilitar a visualização de leitura neste blog; não constam do artigo original.

[…]

Achados neuropatológicos

    Do ponto de vista neuropatológico, o cérebro no autismo apresenta alterações no cerebelo, sistema límbico e uma anormalidade na organização minicolunar cerebral. […] 

    […] Regiões cerebrais potencialmente envolvidas são a amígdala e as áreas pré-frontais, sendo a amígdala a estrutura que foi detectada com maior envolvimento em metade das crianças com autismo (BUGALHO; CORREA; VIANA-BAPTISTA, 2006; SALMOND et al., 2003).

    […]

    Estudos de neuroimagem sugerem um padrão anormal de desenvolvimento cerebral em autistas, com um crescimento acelerado durante os primeiros anos de vida, seguido por uma desaceleração em algumas regiões do cérebro, enquanto em outras áreas há uma parada do crescimento. Analisando o perímetro cefálico de crianças com sinais de autismo, verificou-se que o aparecimento dos sintomas precede uma redução do perímetro cefálico no nascimento, com súbito e excessivo crescimento cefálico entre 1-2 meses e 6-14 meses de idade, sendo esta anormalidade considerada como possível sinal de risco para o autismo (COURCHESNE; CARPER; AKSHOOMOFF, 2003).

    Quanto à neuroquímica, a elevação nos níveis de serotonina nas plaquetas tem sido o achado mais consistente em autistas (GADIA; TUCHMAN; ROTTA, 2004). As hipóteses dos níveis serotoninérgicos estarem elevados no autismo podem vir a explicar as dificuldades nas relações interpessoais e a apatia frente ao estímulo.

    […] 

Achados neuropsicológicos

    Com freqüência associam-se ao autismo características como inflexibilidade, perseveração, foco nos detalhes ao invés do todo, dificuldade nos relacionamentos interpessoais e dificuldades no brincar. Todas elas poderiam ser explicadas por um comprometimento funcional no lobo frontal, e conseqüentemente, nas habilidades das funções executivas (DUNCAN, 1986).

    […]

    O baixo desempenho das pessoas com autismo em testes que avaliam habilidades relacionadas às funções executivas sugere a possibilidade de que essas alterações derivem de alguma alteração no lobo frontal. Mattos, Saboya e Araújo (2002) investigaram essa hipótese através do estudo do caso de um paciente que sofreu Traumatismo Crânio-encefálico (TCE) e observaram a presença de sequelas comportamentais compatíveis com o comprometimento do lobo frontal. Familiares do paciente relataram mudanças relevantes no comportamento, nas relações interpessoais, no desempenho profissional e na auto regulação do afeto, das emoções e da motivação, com aumento da irritabilidade e temperamento eventualmente explosivo.

    O cerebelo, o sistema límbico e a amígdala estão diretamente ligados ao lobo pré-frontal. A lesão nessa área abrange as funções executivas e motricidade. Sendo essas estruturas cerebrais relevantes na esfera comportamental e cognitiva, parece que os indivíduos com autismo podem apresentar uma síndrome muito semelhante à disexecutiva […]

Funções executivas

    As funções executivas […] relacionadas a vários processos cognitivos como planejamento, organização e prevenção das ações para atingir uma meta e um desempenho efetivo, através de tomada de decisões, desenvolvimento de estratégias, estabelecimento de prioridades, controle de impulsos, auto monitoramento, auto direção e auto regulação da intensidade, do ritmo e outros aspectos qualitativos comportamentais. Além disso, envolve processos emocionais e motivacionais como a ação intencional direcionada a um objetivo planejado, uma ação produtiva baseada na capacidade de dar início, manter, modificar ou interromper um complexo conjunto de ações e atitudes integradas organizadamente (LEZAK; HOWIESON; LORING, 2004; SABOYA; FRANCO; MATTOS, 2002).

    As funções executivas começam a desenvolver-se nos primeiros anos de vida e terminam seu processo de maturação por volta do final da adolescência, sendo responsáveis pelo processo cognitivo que inclui o planejamento e execução de atividades como controle de impulsos, iniciação de tarefas, memória de trabalho, atenção sustentada, entre outras (TEIXERA, 2006). […]

[…] Assim, para a realização de tarefas diárias e para um adequado convívio social, as funções executivas devem necessariamente estar íntegraspois a identificação de respostas alternativas para a resolução de problemas reflete na adaptação ambiental do indivíduo (ANDERSON, 2002; PARENTE, 2002).

[…]

    De acordo com Klin (2006), o prejuízo das funções executivas no autismo causam dificuldades no planejamento e manutenção de um objetivo na execução de uma tarefa, podendo também gerar déficits no aprendizado por meio de feedback e uma falta de inibição de respostas irrelevantes e ineficientes.

    As funções executivas no autismo apresentam um déficit relevante, pois há um prejuízo na capacidade atencional, na motivação, na memória, no planejamento e execução de uma tarefa. Pela sintomatologia, o que se percebe é que autistas não coordenam a percepção recebida do meio e a coordenação de diferentes movimentos, a partir de informações recebidas do sistema límbico, cerebelo e das regiões posteriores sensoriais. Sendo assim, os achados neuropsicológicos e neuropatológicos das estruturas corticais envolvidas através da neuroimagem auxiliam na explicação dos comportamentos típicos do autismo, apesar de não poderem ser considerados como marcadores biológicos próprios do autismo.

[…]

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