Características de Crianças com Síndrome de Asperger

 

SÍNDROME DE ASPERGER

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CARACTERÍSTICAS – SINAIS E SINTOMAS

 

1. Tendem a afastar-se das outras crianças, preferindo brincar sozinhas ou com adultos.

2. Preferem interagir com adultos ou somente com pessoas com quem tenham um maior vínculo afetivo.

3. Geralmente não gostam de festas ou eventos sociais, e tendem a evitar situações que a maioria das crianças considera agradáveis, como brincadeiras coletivas, vigorosas ou com agitação excessiva (geralmente se afastam de grupos de crianças em playgrounds), não somente pelo excesso de interação social, mas também pela hiperestimulação sensorial, como barulho, contato físico, o tipo de brinquedo (não gostam de brinquedos que fazem barulho ou chacoalham com elas dentro, piscinas de bolinhas “machucam”, etc.) ou muitas pessoas falando ao mesmo tempo.

4. Têm dificuldade para lidar com mudanças, necessitam de rotina para se sentirem seguras, têm problemas com transições (exemplos de transições: sair de um local para ir para outro, acabar uma atividade para iniciar outra, sair uma pessoa e entrar outra no ambiente);  adaptações a novas pessoas, ambientes ou situações costumam ser mais trabalhosas e demoradas, não gostam de surpresas.

5. Desenvolvem muitos rituais, que lembram o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), apresentando forte reação emocional quando não lhes é possível completá-los.

6. Apresentam fala, brincadeiras e comportamento repetitivo. Podem sempre querer usar as mesmas roupas, comer as mesmas coisas, ir aos mesmos lugares ou brincar das mesmas brincadeiras ou com os mesmos brinquedos.

7. Pode haver ecolalia (repetição de frases, palavras ou sons ouvidos no ambiente), por exemplo: a criança passa meses dizendo uma mesma frase com frequência, como “Quando a água acaba, é hora de encher a garrafa” ou repete por dias uma frase do professor que ouviu em aula: “Agora, vamos pintar os círculos de azul” ou, ainda, na chamada “ecolalia imediata”(menos comum em Asperger), repete os finais das frases ou a própria frase dita a ela, por exemplo: a mãe pergunta “Jacob, quer suco?” e Jacob diz: “Quer suco?”

8. Geralmente têm uma obsessão em particular – com certos objetos, partes de objetos ou ações, como abrir e fechar portas ou ligar e desligar interruptores, por exemplo, e quando mais velhas, a obsessão tende a voltar-se para um assunto específico, geralmente atípico, como trens, robótica, astronomia ou dinossauros.

9. Podem apresentar interesse em outras coisas incomuns para uma criança, por exemplo: postes de iluminação, grades, espremedores de frutas, descascadores de legumes, mapas, sinais de trânsito, pilhas, logotipos, etiquetas de roupas, tipos de perfumes, pedaços de linhas, fita adesiva.

10. Não demonstram interesse em atividades que envolvam competição, tais como gincanas e não costumam gostar de jogos, tanto pela dificuldade em compreender o objetivo do mesmo quanto pela dificuldade em aceitar que perdeu ou ceder a vez.

11. Têm dificuldade significativa em compreender a perspectiva dos outros e como seus comportamentos ou comentários afetam as outras pessoas. Esperam que os outros entendam o que pensam sem que digam às pessoas. Ao não compreenderem a perspectiva alheia, acabam verbalizando pensamentos pessoais/internos e sendo muito diretos e honestos no que dizem, o que acaba soando rude e bastante inapropriado socialmente, afinal, o filtro social que as pessoas habitualmente utilizam em suas conversas depende da capacidade de compreender a perspectiva do outro, algo difícil para crianças no espectro do autismo. Podem, assim, dizer à pessoa que ela é chata, feia, que cheira mal, podem pedir que a pessoa fique quieta por que está falando muito e incomodando os ouvidos delas ou a mandarem ir embora, sem rodeios. É claro que, conforme caminham para a vida adulta, aprendem racionalmente que certos comportamentos não são permitidos ou adequados, mas a honestidade transparente natural pode “escapar” com certa frequência, principalmente se estiverem sob stress.

12. Não perguntam coisas sobre as pessoas e suas opiniões.

13. Memória de longo prazo para fatos surpreendente; memória de categorização muito boa (geralmente aprendem rápido e muito cedo o alfabeto, as cores, formas geométricas e uma quantidade bem maior que a esperada para a idade de nomes de objetos, personagens e outras coisas, sendo comum observar um vocabulário bastante desenvolvido, quando não sofisticado, em crianças com Asperger).

14. Têm excelente percepção visual.

15. São críticas e rigidamente perfeccionistas.

16. Dificuldade em dividir brinquedos.

17. Monopolizam a brincadeira; não permitem que outras pessoas interfiram ou mudem a forma com que estejam brincando ou a atividade em que estejam engajadas.

18. Dificuldade em compreender como brincar com outras crianças. Querem impor o assunto/brincadeira que gostam aos outros e, como geralmente se trata de uma obsessão, é comum que as crianças não se interessem, devido à exaustiva repetição e ao assunto que, muitas vezes, não é de interesse comum de crianças. Isso por si só já é um forte fator de isolamento social e rejeição pelos colegas.

19. Apresentam reação intensa se a brincadeira não discorre como esperam. Se irritam com o comportamento típico das outras crianças: falar alto, se mexer muito, esbarrar, mexer nas coisas dela, correr, pular. Podem gritar para o colega coisas como: “Pára de falar, você está me irritando!”, “Sai dessa cadeira que ela é minha!”, “Eu nunca mais vou deixar você mexer nas minhas coisas!”.

20. Podem iniciar interações sociais, mas têm dificuldade para mantê-las. Algumas crianças com Asperger chegam a ser bastante extrovertidas e falantes, buscando a interação com outras pessoas com frequência, o que costuma confundir as pessoas que não conhecem a síndrome e têm como base de informação apenas o estereótipo de que “autista é fechado, calado, alheio aos outros”. É comum que a conversa termine no momento em que outras pessoas não concordem em brincar/falar do assunto de interesse específico da criança, quando contrariam alguma coisa que a criança queira ou quando começam a lhes fazer perguntas, em especial se forem sobre assuntos que não são do seu interesse ou que envolvam questões pessoais, como “Qual o seu nome/idade/onde você foi no fim de semana/do que você brinca na sua casa…? ” (responder perguntas pessoais costuma melhorar a partir dos 5 ou 6 anos, mas sempre vai ver um desconforto em relação a isso e uma limitação de disposição em estender esse tipo de conversa).

21. Podem ter reações atípicas ou inadequadas ao interagirem com alguém, como gritarem repentinamente, cutucarem o rosto da outra pessoa, expressarem alegria ou raiva de forma excessiva ao ponto de captar a atenção das pessoas do ambiente (por exemplo, pulando e gritando muito, fazendo movimentos corporais exagerados e estranhos, rindo excessivamente ou se jogando no chão, “escalarem” ou se pendurarem em alguém).

22. Chateiam-se intensamente por pequenas coisas que muitas vezes não são percebidas pelos demais, de forma que o motivo da raiva da criança nem sempre fique claro, não só pela eventual insignificância do ocorrido (por exemplo, expressar raiva por que o desenho da banana no livro tem mais pintinhas pretas do que esperavam que tivesse), mas também porque podem distorcer um fato de forma que a reação da criança não faça sentido para os demais (por exemplo, podem reagir com raiva quando alguém ri ou faz um elogio) ou porque nem sempre verbalizam o que as afligem. Outros exemplos: podem expressar consternação se virem uma porta de armário aberta, uma maçaneta quebrada ou algumas gotas de água derramadas sobre a mesa.

23. Têm apego exagerado a certos objetos que, às vezes, podem ser inusitados, como, por exemplo, uma linha, etiqueta ou uma tampinha qualquer; também é comum que atribuam características animadas a objetos inanimados, como brincar que estejam alimentando um sapato ou dizerem que o cobertor está triste, por exemplo.

24. Falam muito, geralmente sobre um assunto preferido. Conversas unilaterais são comuns. Frequentemente são referidos como “máquinas de falar”.

25. Podem ter dificuldades em manter contato visual com outras pessoas ou fazê-lo de forma rápida, fugaz, de modo que pareça que estabelecem bom contato visual, mas costuma ser um contato de “verificação” em vez de “conexão emocional ou de comunicação de sentimentos”, ou seja, é um contato visual não tão demorado ou profundo.

26. Podem não ser influenciadas por feedback social. Elogios ou consequências emocionais são meios de gratificação, motivação ou repreensão para crianças sem autismo, mas muitas vezes não funcionam com crianças no espectro autista, sendo algum prêmio mais palpável representado por meio de objetos (como doces, adesivos, brincar com um brinquedo que queira, etc.) ou elogios à inteligência delas recursos motivadores mais eficazes, lembrando que o pensamento delas é mais concreto e não compreendem bem a perspectiva alheia. Desse modo, dizer à criança com autismo: “Eu vou ficar triste se você não fizer isso” ou “Seus colegas não fazem assim” pode não surtir efeito, enquanto que dizer “Se você não fizer isso, não vai brincar com o carrinho azul” ou “Crianças espertas não fazem assim” pode ser muito mais efetivo.

27. Podem parecer frias e desconectadas emocionalmente (afinal, elas dificilmente entendem como o outro percebe o comportamento delas, têm dificuldade em compreender a perspectiva do outro; quando compreendem, costumam ser amáveis e atenciosas, mostrando que se importam; assim, podem ocorrer situações como alguém estar chorando e a criança dizer para essa pessoa: “Ah, não, você está chorando! Agora quem é que vai brincar comigo?!” ou ela entrar falando e acendendo a luz quando alguém está no quarto dormindo).

28. Podem reagir fortemente a sons, principalmente os repentinos e com estampido. O som de uma bexiga estourando, um objeto caindo no chão, música, várias pessoas rindo ou cantando juntas ou o arrastar de uma cadeira podem assustar bastante. Barulhos de marteladas, furadeiras, aspiradores de pó ou secadores de cabelo podem causar pânico.

29. Podem ter outras hipersensibilidades sensoriais, como tecidos/costuras/etiquetas de roupas, sabores ou texturas dos alimentos, sensibilidade à luz ou olfativa. É importante observar que o stress para uma criança com síndrome de Asperger, que tem hipersensibilidades sensoriais, pode ocorrer por estímulos que não são percebidos como problema por pessoas sem o transtorno.

30. Seletividade alimentar e baixo apetite.

31. Podem aprender o alfabeto muito cedo, antes dos 2 ou 3 anos.

32. Não têm problemas com a fala propriamente dita (articulam bem as palavras, formam bem as frases e têm vocabulário amplo e até avançado para a idade), que pode, inclusive, se desenvolver precocemente, mas apresentam dificuldades na eficácia da comunicação, que podem ser, principalmente: a) social (pragmática) – podem iniciar conversas sem a introdução adequada, ou encerrá-las bruscamente, por exemplo. Podem relutar em dizer “oi”, dizer/acenar “tchau”, não fazer ou responder perguntas de acordo e expressar suas opiniões de forma direta, podendo soar rudes por um longo tempo além do que seja esperado para a idade; b) semântica – interpretação e uso equivocado do significado e contextualização das palavras. Exemplo: a criança tem 3 dados na mão e pergunta “Sabe quanto dá 3 dadinhos?”, a pessoa diz que não entendeu a pergunta e ela repete a mesma coisa, irritada por que não foi compreendida e enfim responde “Dá 13!”, querendo dizer que os dados mostravam nas faces de cima os números 3, 4 e 6 e que ela os estava somando; outro exemplo é a criança ver um brigadeiro e dizer que está com “fome” , ou que está com “fome de brigadeiro” quando, na verdade, quer dizer que está com vontade; c) ecolalia (repetição de frases e palavras ditas por outras pessoas ou ouvidas, por exemplo, na TV).

33. Devido aos problemas citados nos itens 11, 27 e 32 (sobre não compreender a perspectiva do outro e não ter eficácia comunicativa), podem dizer coisas embaraçosas (exemplos no item 11), desconcertantes ou mesmo sem sentido (como no exemplo do dado, no item 32 – b), pois embora pareçam muito eloquentes por reproduzirem uma fala mais sofisticada e fluída, não compreendem tudo o que dizem e, às vezes, não compreendem palavras básicas, como “fome” e “frio”, embora entendam palavras como “na verdade” e “graveto”, eventualmente trocam o significado das palavras (déficit semântico-pragmático) ou criam interpretações equivocadas dos eventos. Exemplo: a criança se recusa a comer boa parte do seu almoço e a mãe diz que ela ficará com fome mais tarde se não comer ao menos um pouco mais; ao chegar na escola diz para a professora: “Eu estou com fome. Não almocei hoje por que minha mãe disse que eu ia ficar com fome.” Outro exemplo: a criança diz para alguém que reclama de algo: “Você é problemática.”, apenas por que ouviu essa palavra sendo usada, percebeu um tom negativo no uso e agrega esse novo vocabulário ao seu sem saber o que significa de fato, imaginando que possa ter a ver com o fato de alguém ‘ter um problema’.

34. Têm tendência a falar somente sobre o próprio tópico de interesse, ou considerar apenas sua própria perspectiva – o que é causado pelo déficit na Teoria da Mente¹, comum no autismo, e que dificulta a troca típica de relações interpessoais. É como ter um rádio-transceptor*, cujo transmissor funciona, mas não o receptor, que apresenta problemas. Esse déficit é, muitas vezes, interpretado como egoísmo ou egocentrismo. *(O rádio-transceptor é um sistema que funciona de duas formas, como transmissor e receptor, como é o caso do telefone celular).

¹ Teoria da Mente – É a capacidade que uma pessoa tem em reconhecer, perceber que o outro pensa diferente dela, e levar em conta a perspectiva do outro ao analisar uma situação, o que é uma habilidade natural nas pessoas sem o transtorno, mas precisa ser aprendida – em maior ou menor grau, dependendo da severidade do distúrbio – pelas pessoas que estejam no espectro autista.

35. Têm resistência a receber explicações ou manter a atenção em assuntos que não sejam os de seus interesses específicos, o que pode ser um problema na escola, dificultando a colaboração e interesse na execução das atividades.

36. Têm dificuldade em compreender brincadeiras das outras pessoas e expressões idiomáticas. Desenvolverão boa parte dessa habilidade (que é naturalmente presente e fluída em pessoas sem o transtorno) com o tempo, mas geralmente muito depois das crianças típicas. Por isso, “pode ocorrer, por exemplo, de crianças com Asperger, principalmente as mais novas, se incomodarem e se irritarem quando alguém ri em resposta a algo que elas tenham feito ou dito, pois têm dificuldade em julgar se a pessoa está rindo com elas ou delas” (Attwood, 2015); tendem a levar tudo o que ouvem ao pé da letra. Assim, frases do tipo “Vou pegar o seu brinquedo para mim”, “Tô matando cachorro a grito” ou “O gato comeu a língua da sua amiga” certamente causarão pânico e stress. Não têm “espírito esportivo”.

37. Podem invadir o espaço do outro. Mesmo após muitas advertências verbais para não fazê-lo, podem insistir em interromper conversas, gritar enquanto alguém fala ao telefone, entrar na frente de alguém enquanto a pessoa conversa ou virar a cabeça da pessoa com as duas mãos no intuito de obter a atenção desejada, seguir quem gostam o tempo todo e em todos os lugares (inclusive no banheiro, ou batendo na porta do banheiro para a pessoa sair logo), pegar a comida do prato alheio, etc.

38. Tendem a um pensamento mais concreto que abstrato, o que dá um tom mais realista às suas brincadeiras, imitando coisas literais que veem no cotidiano, como brincar de mercado, fazer comida, carrinho ou posto de gasolina, apresentando poucas brincadeiras imaginativas espontâneas como, por exemplo, fazer de conta que o cavalo voa, ou seja, tendem a brincar imitando algo, inovando apenas em alguns poucos detalhes funcionais, como um novo jeito de abrir e fechar a porta, ou de pendurar um objeto.

39. É comum que tenham inteligência acima da média, o que faz com que muitos pais suspeitem primeiro que as excentricidades sejam devidas a um quadro de superdotação, para somente mais tarde perceberem que existe algo mais acontecendo.

40. Podem lembrar “mini adultos” em seus trejeitos, modo de falar ou interesses; tendem a ser mais formais e a utilizar um vocabulário mais rebuscado ou avançado do que seria o esperado para a idade, o que reforça esse impressão.

41. Pode haver uma certa “autossuficiência emocional” em algumas coisas, como cantar a música de ninar para si mesmos, por exemplo. Em contrapartida, podem ser muito mais imaturos que seus pares em relações sociais. É comum que tenham uma discrepância significativa entre idade emocional e idade cognitiva. Por exemplo: uma criança de 10 anos com síndrome de Asperger pode comportar-se emocionalmente como uma criança de 6 e ter a capacidade intelectual de alguém com 16 anos.

42. Têm problemas em regular as emoções e lidar com frustrações, que são dificuldades comuns no espectro autista; estudos de imagem relacionam essas dificuldades à uma hiperativação da amígdala, que é a região do cérebro responsável pela regulação do humor, em especial da raiva e do medo, que levam a transtornos de ansiedade (medo generalizado, fobias, pânico, ansiedade de separação), além de distúrbios comportamentais como birras, explosões de raiva constantes e agressividade. Em casos excessivos, medicamentos reguladores do humor podem ser necessários. Essa desregulação neurológica é erroneamente percebida por pessoas sem conhecimento neurocientífico, ou seja, pelo senso popular, como “imaturidade, mimo, manha ou falta de boa disciplina dos pais”. Medidas disciplinares que geralmente funcionam bem para crianças sem transtorno autista são, além de ineficazes, altamente prejudiciais para crianças com autismo.

43. Têm tendência a pensamento catastrófico e negativista – podem desenvolver interesse obsessivo por lixo, falar de morte, doença, focar a atenção em coisas ruins, feias, quebradas ou nojentas, reclamar muito, estarem sempre insatisfeitos, dizerem que estão cansados, tristes ou doentes (mesmo quando está tudo bem), ou até mesmo falar de coisas mórbidas, como caixões.

44. Podem desligar-se do ambiente com certa frequência, como se não percebessem as pessoas falando com elas ou o que acontece no entorno, especialmente se estiverem imersas em seu interesse particular ou sob stress. Nesses momentos, podem não atender ao próprio nome quando chamadas (mesmo que sejam chamadas repetidamente) ou não responder perguntas ou solicitações, dando a impressão de serem surdas ou estarem ignorando a pessoa que lhes dirige a palavra. Este não é um desligamento intencional. O que acontece é que há um retraimento da atenção, como se a capacidade de receber qualquer estímulo, sensorial ou social, ficasse bloqueada por um período, o que geralmente piora quanto maior for o stress e a ansiedade.

45. Podem ser opositoras, do contra. Em alguns casos, podem até mesmo desenvolver Transtorno Opositivo Desafiador (TOD).

46. Podem ter um temperamento bravo, irritadiço, agressivo e explosivo, geralmente mais evidente no contexto familiar, que é onde se sentem mais relaxadas e livres para expressarem seu real estado emocional. Em ambiente público podem tentar esconder mais esse lado, pelo medo da reação das pessoas mais do que por terem consciência do impacto desse comportamento nos outros.

47. Podem apresentar algum atraso motor, serem descoordenadas ou desajeitadas, batendo a cabeça, braço ou pernas em quinas e móveis com frequência. Podem aprender a andar de bicicleta ou pegar uma bola mais tarde. A letra cursiva pode não ser boa e podem apresentar resistência em atividades com lápis, como caligrafia e pintura. O andar ou correr podem ser estranhos. Podem não ter muita destreza ao vestir-se ou lavar-se em relação ao que seria esperado para a idade. Podem ser pouco ágeis fisicamente, tropeçar e cair muito ou deixar cair objetos com frequência. Geralmente não gostam de esportes.

48. Tendem a continuar colocando objetos na boca mesmo muito tempo depois do término da fase oral (que vai de 0 a 2 anos).

49. Podem engajar em comportamentos de autoagressão (morder-se, arranhar-se, cutucar machucados, bater-se).

50. Podem apresentar um padrão de sensibilidade à dor e à temperatura desregulado, insistindo em usar blusa no calor, ou em ficar sem ela no frio; podem ser hipersensíveis ao toque suave, mas não demonstrarem desconforto quando seria de se esperar, como quando ocorre algum arranhão ou machucado, ou quando cutucam a própria ferida, por exemplo.

51. Apesar da dificuldade em lidar com frustrações e regular emoções, que muitas vezes causam fortes explosões emocionais (como birras intensas, gritos, bater ou jogar coisas), geralmente não são crianças agressivas, e sim dóceis e amáveis, à  medida em que se sintam tranquilas no ambiente. Não têm índole maldosa e não gostam de brincadeiras ou filmes violentos, demonstram carinho e compaixão pelos animais e são geralmente vítimas em vez de agentes de bullying. Os acessos de raiva são quase sempre em resposta a terem seu espaço invadido, à hiperestimulação sensorial ou a serem impedidas de fazerem algo que queriam, quase sempre por não compreenderem o motivo de não poderem ou se a vontade em questão estiver ligada ao assunto de interesse obsessivo. Nesse último caso, o desespero só passa se a completude do ritual ou interesse obsessivo for permitido. Por exemplo, se a criança tem obsessão com portas e vê uma porta automática no shopping, ela chorará por horas (ou dias!) se não lhe for permitido passar algumas vezes pela porta, ao passo que se passasse pela porta algumas vezes, o choro cessaria instantaneamente. Para disciplinar a criança é preciso distinguir entre o que ritual e o que é capricho. Se o desejo for vinculado a um ritual, geralmente não há outro meio de sanar o problema que não seja permitir que a criança obtenha o que quer. Em casos excessivos, a criança costuma tomar medicação similar à utilizada em pessoas que tenham TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), pois dificilmente será capaz de controlar sua obsessão de outra forma. Uma dica extra para saber se a vontade da criança é relacionada a um obsessão e observar se ela ouve a voz da razão, se aceita negociação ou substituição ou se fica cega para a própria vontade. Se ficar cega e parecer não ouvir ou compreender o que tentam argumentar, trata-se de ritual/obsessão. se a criança apresentar comportamento excessivamente agressivo e explosivo, possivelmente precisará de medicação auxiliar para tratar a agressividade em conjunto com a obsessão.

52. A maioria das crianças com a síndrome sofre de forte ansiedade e têm tendência ao desenvolvimento de medos e fobias. Fobias sociais e escolares são especialmente comuns.

53. Problemas gastrointestinais, enurese diurna ou noturna, alergias ou coceiras na pele podem ocorrer, geralmente devido à ansiedade.

54. Algumas das comorbidades, ou seja, dos problemas ou transtornos que mais comumente ocorrem em conjunto com a Síndrome de Asperger, são: Transtornos de Ansiedade (dentre os quais estão as fobias, Síndrome do Pânico, o Transtorno de Stress Pós-Traumático, a TAG [Transtorno de Ansiedade Generalizada] e o TOC [Transtorno Obsessivo-Compulsivo] ), Depressão, TDA [Transtorno do Déficit de Atenção] ou TDAH [ quando há hiperatividade associada], TB [Transtorno Bipolar], ST [Síndrome de Tourette] e TOD [Transtorno Opositivo Desafiador]. A pessoa pode apresentar um ou vários desses problemas além da própria síndrome de Asperger. Ansiedade e depressão são os problemas mais frequentes.
Grande parte dos sintomas da síndrome de Asperger podem tornar difícil que a criança seja aceita pelos outros, pois lhe faltam as sutilezas sociais básicas como ouvir, demonstrar que se importa, aceitar os pontos de vista dos outros, demonstrar interesse no que lhe dizem ou perceber quando a pessoa com quem estão interagindo demonstra sinais de tédio, cansaço ou raiva, por exemplo, sendo insistentes e tentando impor aos outros seus interesses obsessivos. Esta criança pode ser percebida como alguém que não se preocupa com o que o outro sente, mas isso não é verdade.

Indivíduos com autismo têm muita dificuldade em acessar o mundo interno dos outros e supor o estado de espírito, sentimentos, necessidades e intenções subjacentes (falha na Teoria da Mente – você pode reler sua definição logo após o item 34 na lista acima). Se pudermos compreendê-las, acolhê-las, sermos pacientes e servir de modelo, elas poderão evoluir nos pontos onde têm déficits, como procuramos também fazer cada um de nós.

Pessoas com autismo terão um limite quanto até onde serão capazes de desenvolver estas questões, afinal, todos temos limites em nossos pontos fracos, mas estas pessoas certamente serão mais aptas amanhã do que são hoje, e mais ainda quanto mais suporte tiverem, pois todos nós, independentemente de termos ou não patologias, evoluímos sempre no caminho da experiência humana.

A existência de um distúrbio aumenta os desafios, e distúrbios que interferem com as habilidades sociais tornam o caminho especialmente tortuoso, motivo pelo qual estas crianças precisam de toda ajuda que pudermos oferecer durante os seus “anos de ouro”, também chamados de infância, que é quando a base para a vida se forma.

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