Medicação no Autismo e Síndrome de Asperger

Resultado de imagem para medicação

Fonte da Imagem

Muitos dos comportamentos que, a princípio, parecem malcriação, agressividade, capricho, oposição e desvios de personalidade intencionais da criança (ou adulto) autista são, na verdade, em grande parte resultantes de metabolismos químicos inadequados no cérebro. As próprias estereotipias podem não ser tão voluntárias quanto parecem, especialmente em crianças muito novas (quanto mais novas, menos voluntárias as estereotipias são porque maior é a imaturidade de seu sistema nervoso).

Por estereotipias, entendem-se movimentos repetidos do corpo, tais como agitar as mãos e braços, balançar o corpo ou cabeça, andar na ponta dos pés, bater palmas fora de contexto, algum movimento atípico e frequente dos olhos, dedos ou face, sons vocais, ficar girando ou andando sem pausa, por exemplo. Embora a natureza da estereotipia seja motora e, inicialmente, involuntária, com o passar dos anos e desenvolvimento do cérebro, a pessoa passa a conseguir controlar conscientemente algumas de suas manifestações, o que nem sempre é fácil, apesar de possível, pois é como uma necessidade corporal reprimida, como uma coceira, por exemplo. Muitas vezes, pessoas leigas interpretam as estereotipias de maneira equivocada, achando que a criança gira muito porque “está brincando” ou que balança a cabeça porque está dizendo “sim” ou “não”. Um olhar mais atento vai revelar que não só a frequência e intensidade do comportamento estão acima da média esperada num comportamento comum, como, muitas vezes, a ação acontece sem um contexto que a justifique. Se o observador permanecer quieto, sem insistir numa conversa, e ainda assim a criança estiver a fazer que ‘sim’ ou que ‘não’ com a cabeça, não se trata de comunicação, e sim de reflexo motor.

No entanto, as estereotipias são um sinal de sistema nervoso agitado, o que pode acontecer tanto por fatores orgânicos não relacionados a algo que tenha ocorrido no ambiente, como por agentes estressores ocorridos no ambiente, que aumentam a adrenalina e a ansiedade da pessoa autista, tais como ouvir um som alto (de TV, gente falando, rindo, cadeira arrastando, cachorro latindo, etc.), desconforto físico (fome, frio, calor, sono, vontade de fazer as necessidades, cheiros ou gostos, etc.), visitas em casa, sair de casa (muito agito, gente nova, rua barulhenta, etc.), alterações na rotina ou mesmo no ambiente físico (como mudar um móvel de lugar, pintar uma parede de outra cor, etc.). Assim, conhecer e controlar os gatilhos de incômodo e ansiedade do ambiente podem ajudar a acalmar a pessoa autista.

É impressionante como o funcionamento do nosso cérebro determina tantos de nossos comportamentos que, muitas vezes, julgaríamos apenas como personalidade ou fruto da própria intenção da pessoa. Quantas vezes não dizemos a uma pessoa deprimida que ela “tem que” se animar, desconhecendo completamente o fato de que o cérebro dela possa não estar produzindo a química necessária para que ela o faça? Pessoas que sofreram acidentes e lesaram parte do lobo frontal, passaram a apresentar comportamentos agressivos e antissociais opostos à forma com que eram antes do acidente. Pessoas com Alzheimer podem perder o comportamento de sorrir, tornar-se caladas quando antes eram falantes, andar em círculos, tornar-se agitadas e andarem pela casa o tempo inteiro ou passar a repetir muitas vezes uma mesma história ou pergunta, por exemplo, o que mostra como nossa personalidade não depende unicamente da nossa própria vontade ou da qualidade do ambiente em que estamos inseridos, e sim de variadas nuances de anatomia e funcionamento cerebral.

Os hormônios também exercem papel central na forma como nos relacionamos socialmente. Um estudo feito com ratos analisou a ocitocina, hormônio responsável pelo interesse em nos relacionarmos socialmente e que costuma ter produção deficitária em pessoas no espectro do autismo. Os ratos foram divididos em 2 grupos: um com aplicação de ocitocina, e outro com remoção desse hormônio. O que se observou no comportamento desses dois grupos foi que aquele que havia recebido ocitocina apresentava interesse acentuado em proximidade física, ficando os ratos aglomerados uns por cima dos outros, enquanto no segundo grupo, cuja ocitocina havia sido removida, os ratos evitavam encostar uns nos outros.

Ou seja, nossa dinâmica de personalidade e comportamento social está mais relacionada a fatores bioquímicos do que costumamos imaginar.

Por isso, condições em que a pessoa apresente determinados problemas comportamentais podem obter considerável auxílio com o uso de medicação, que irá corrigir os déficits neuroquímicos existentes e melhorar o funcionamento de determinadas áreas disfuncionais do cérebro.

Aquela criança que é percebida como mal-educada, agressiva, irritadiça ou evitativa pode não ser assim somente por questões emocionais ou psicológicas, como a maioria das pessoas acredita, especialmente hoje em que jogar a conta de tudo na criação oferecida pelos pais virou moda, dada a ampla disseminação de uma psicologia rasa que segue o lema “a culpa é dos pais”, afinal, essa forma simplista de entender a complexidade do comportamento humano é mais facilmente consumida pelo público leigo e mesmo por profissionais menos preparados, que não tiveram em sua formação conhecimentos mais aprofundados em neurociências, como costuma ocorrer em cursos das áreas de Humanas, tais como Pedagogia, Psicologia ou Serviço Social.

Tais comportamentos podem ser, muitas vezes, causados por déficits bioquímicos e anatômico-funcionais, de modo que a medicação possa ser uma importante aliada no alívio e melhora dos sintomas que são, muitas vezes, resistentes à terapia psicológica ou outras intervenções feitas no ambiente. Há diversos relatos de caso em que a criança foi submetida a longo tempo de terapia psicológica sem resultado, mesmo com os pais aplicando todas as estratégias comportamentais sugeridas pelo terapeuta, mas que, na primeira semana de uso da medicação, após anos de tentativas infrutíferas, o comportamento mudou bruscamente: a criança passou a demonstrar afeto quando antes não o fazia, a ser mais colaborativa, reduziu exponencialmente a agressividade (parou de bater, xingar ou dizer coisas perversas), diminuiu a frequência de estereotipias ou “manias”, passou a procurar e/ou aceitar mais o contato físico (pegar na mão, no cabelo, beijos e abraços) e passou a parecer mais satisfeita, menos angustiada e mais feliz.

Muitas pessoas evitam a todo custo o uso de medicações, especialmente as psicotrópicas, com receio de que causem vício ou prejuízos. Embora, de fato, nenhuma medicação esteja livre de possíveis efeitos colaterais, há inúmeras opções que auxiliam muito e causam pouco ou nenhum efeito adverso e que são, muitas vezes, um salva-vidas em momentos difíceis da vida. Como cada organismo é único, só saberemos o potencial de auxílio ou de reações indesejadas por tentativa e erro. Estas medicações são prescritas por médicos (geralmente psiquiatras, neurologistas ou neuropediatras) e só podem ser vendidas com retenção da receita, sendo de uso controlado, e um acompanhamento periódico é necessário justamente para observar o resultado obtido e se há necessidade de ajuste da dose ou troca de medicação.

A maior parte dos medicamentos de última geração tem muito menos efeitos adversos e não costuma causar vício. Em caso de aparecimento de efeitos colaterais significativos, medidas como a descontinuação (interrupção) ou redução da dosagem do medicamento costuma sanar o problema na grande maioria das vezes. É importante observar que medicações psicotrópicas nunca devem ser interrompidas bruscamente, e sim de forma gradual, decrescendo a dose até retirá-la completamente e, de preferência, sempre com o conhecimento do médico, que orientará o paciente como fazê-lo. É frequente que crianças mais novas respondam positivamente a doses baixas de medicação. Algumas, inclusive, só apresentam os benefícios com doses baixas que, quando aumentadas, muitas vezes deixam de surtir o efeito desejado e causam o chamado “efeito-rebote”, que é quando a criança potencializa o comportamento que se visa decrescer, como, por exemplo, tomar uma medicação para ansiedade e tornar-se ainda mais ansiosa. Novamente, tudo isso costuma ser reversível com a diminuição, retirada ou troca da medicação.

Algumas pessoas poderão precisar de medicações desse tipo por toda vida, enquanto outras precisarão por um certo período, que pode ser de meses ou anos. Um aspecto fundamental a se considerar quando analisamos o custo-benefício do uso de medicação, e aqui não me refiro exatamente à questão financeira (embora esta tenha relevância óbvia, inclusive porque os preços variam enormemente e algumas podem ser inviáveis para algumas famílias), é a qualidade de vida atual do paciente. Muitas crianças autistas precisam de medicação por um certo tempo de suas vidas, especialmente na infância, quando melhores estratégias de manejo das dificuldades ainda não foram alcançadas e o sistema nervoso delas ainda não é minimamente capaz de se autorregular, ou em certos períodos mais difíceis da vida, como troca de escola, mudança de casa, adolescência com hormônios à flor da pele ou face a algum acontecimento traumático, como a perda de um ente querido, por exemplo. Alguns médicos acreditam que a medicação possa, inclusive, funcionar como um ‘treinador’ do sistema nervoso, no sentido de manter um certo tipo de funcionamento que possa permitir ao cérebro ainda em formação “habituar-se” a um estado mental mais adequado, que permita maiores chances da criança, quando mais velha ou adulta, manter-se num funcionamento mais próximo do esperado ou, ao menos, reduzir a potência de desregulação a que estaria naturalmente sujeita, bem como suavizar a presença ou surgimento de eventuais comorbidades.

Outro ponto positivo a se considerar é que os primeiros anos de vida, assim como a adolescência, costumam ser fases mais conturbadas e de grandes desafios e transformações, sendo épocas da vida em que o sistema nervoso não só ainda é bastante precário e, portanto, mas facilmente desregulável, como também não existem, ainda, estratégias comportamentais mais eficazes desenvolvidas, que permitam um maior controle da ansiedade e agressividade, por exemplo. O controle de tais aspectos comportamentais é fundamental para que a pessoa autista tenha um aumento de experiências sociais positivas que modelem melhores referências de convívio social que serão levadas ao longo da vida. Se a criança permanece sendo muito ansiosa e agressiva, ela acabará tendo suas chances de desenvolvimento prejudicadas em muitas áreas (escola, família, colegas, etc.) à medida que for apenas acumulando sofrimentos, desde sentir-se constantemente irritada, mal-humorada e angustiada, até o tipo de resposta que acaba gerando nas outras pessoas.

Uma criança muito agressiva pode, por exemplo, nunca desenvolver uma experiência agradável de contato social, pois ao reagir sempre agressivamente, acabará por provocar reações pouco positivas nas outras pessoas (às vezes até perigosas entre os colegas de mesma idade), o que pode gerar um efeito ‘bola de neve’ negativo: a criança oferece agressividade e recebe reprovação, antagonismo e rejeição dos outros, fazendo-a sentir-se cada vez menos adequada, amada ou aceita socialmente, e, portanto, cada vez menos interessada em relacionar-se e cada vez menos segura em sua autoestima, construindo uma autoimagem prejudicada e impedindo que desenvolva melhores habilidades sociais para a vida, que poderiam culminar em quadros de fobia social e depressão acentuada. Portanto, a medicação pode ser essencial para uma melhor formação de base funcional para o futuro.

Não podemos nos esquecer que o funcionamento humano é determinado por um conjunto de fatores complexos, de modo que o estado psicológico, a força de vontade e o apoio emocional também sejam capazes de influenciar significativamente nossa forma de existir no mundo. Assim, aliar medicação e apoio psicológico e emocional pode ser a chave para um alcance muito mais amplo de resultados na melhora da sintomatologia negativa do autismo e maior desenvolvimento de potenciais.

É importante observar com atenção a palavra “aliar” no parágrafo anterior. É muito comum o relato de familiares de/ou pessoas autistas que insistiram por longo tempo unicamente em terapia psicológica, terapia ocupacional, comportamental ou de integração sensorial e não perceberam muitos resultados, resultados esses que só foram realmente obtidos com o início da terapia medicamentosa, conduzida – quase sempre –  por um psiquiatra. Isso significa que, em muitos casos, a medicação pode ter um papel preponderante na alteração comportamental necessária, especialmente em se tratando de desregulações e explosões emocionais, agressividade, rigidez mental, ansiedade, tiques e depressão comumente encontradas no espectro do autismo, garantindo um melhor aproveitamento de outras terapias e um importante aumento na qualidade de vida.


O texto a seguir é a tradução de um trecho do livro: THE AUTISM DISCUSSION PAGE: ON ANXIETY, BEHAVIOR, SCHOOL AND PARENTING STRATEGIES  (PÁGINA DE DISCUSSÃO DO AUTISMO: SOBRE ANSIEDADE, COMPORTAMENTO, ESCOLA E ESTRATÉGIAS PARA OS PAIS), de Bill Nason, sobre o assunto.

Capítulo 5 – “Medicação: quando, qual e como?” – p. 147-148

“Não existe medicação que trate os déficits centrais do autismo. Contudo, medicações são frequentemente usadas para tratar desordens que co-ocorrem com o transtorno, tais como ansiedade, depressão, transtorno de déficit de atenção, transtornos do humor, agitação ou irritabilidade.

Ansiedade e depressão são os sintomas psiquiátricos mais comuns do autismo, especialmente na Síndrome de Asperger.

Para algumas crianças, a ansiedade é tão debilitante, que se torna necessário o uso de medicação para ajudar a regular o sistema nervoso.

A medicação mais comumente usada em crianças no espectro autista é do tipo SSRI (Zoloft, Luvox, Anafranil, etc.).

Muitas crianças no espectro têm TDA/TDAH e muitas precisarão de estimulantes típicos (Ritalina, Aderall, etc.) para melhorar a concentração, o controle dos impulsos e reduzir a hiperatividade. Contudo, é preciso muito cuidado na utilização de estimulantes, pois é comum que crianças reajam negativamente a eles.

A decisão de usar medicação é difícil. Porém, se o sistema nervoso da criança está desorganizado o suficiente, causando dificuldade para que a criança aprenda, se concentre e se torne emocionalmente estável, então a medicação pode ser fundamental.

A medicação deve ser vista como uma estratégia temporária para acalmar e organizar o sistema nervoso o suficiente para que a criança seja capaz de aprender estratégias mais eficazes de enfrentamento de problemas. À medida em que este aprendizado vai ocorrendo e os problemas se estabilizem, será possível iniciar gradualmente a redução ou até mesmo descontinuação do medicamento. Embora algumas pessoas precisem do medicamento a vida toda, muitas não precisarão.

Muitas crianças só respondem favoravelmente a doses menores. Além disso, quanto mais nova a criança, mais vulnerável é o seu sistema nervoso aos efeitos negativos da medicação. É importante encontrar um psiquiatra ou neurologista que seja especializado em tratar crianças do espectro autista.

O ideal é usar apenas uma medicação de cada vez, aumentando gradualmente a dose até que a eficácia almejada seja alcançada. Tentar evitar o uso de múltiplas medicações ou procurar não as iniciar todas de uma só vez são cuidados importantes, pois seria difícil monitorar os efeitos das medicações adequadamente e saber o que estaria ou não funcionando.

A medicação pode ser essencial para ampliar a receptividade dessas crianças ao aprendizado. Muitas vezes, o comportamento da criança é o resultado direto de desequilíbrios no sistema nervoso.

O maior problema no uso de medicação não é a medicação em si, e sim o seu uso indevido, que acabe por sedar a criança, seja malconduzido por profissionais inexperientes, ou, ainda, o uso de múltiplas medicações, adicionadas umas sobre as outras, até que ninguém mais saiba se quaisquer dessas medicações estão tendo algum efeito positivo de fato. Porém, se houver o cuidado em se administrar apenas uma medicação de cada vez, monitorando adequadamente seus efeitos positivos e negativos, e descontinuando a mesma se um efeito realmente satisfatório não for obtido, então a medicação pode ser usada com segurança.

Se a medicação for realmente terapêutica, mudanças significativas no humor, comportamento e atenção serão percebidas. Se apenas mudanças muito pequenas forem observadas, talvez não valha a pena inserir elementos químicos no organismo na criança. Se a medicação estiver realmente tratando um desequilíbrio químico do organismo, mudanças evidentes serão notadas”. (Bill Nason, p. 147, 2014)

Tradução: Audrey Bueno

Sobre o autor do livro: Bill Nason, psicólogo especializado em autismo, tem 35 anos de experiência trabalhando com indivíduos com distúrbios do espectro autista; há onze anos desenvolve programas para crianças e jovens adultos com autismo ou síndrome de Asperger na Universidade Oakland, em Michigan, Estados Unidos. É o mediador de uma página de discussão sobre o assunto no Facebook, com mais de 75.000 pessoas, e autor de dois livros sobre estratégias de tratamento para pessoas com autismo.

7 comentários sobre “Medicação no Autismo e Síndrome de Asperger

  1. Pingback: Raiva e Violência em Crianças com Asperger | Síndrome de Asperger

  2. Eu estava lendo sobre os efeitos colaterais desses medicamentos, me parecem pior que a própria ansiedade. Como um adulto Asperger que trabalha pode tomar esse medicamentos e ainda ter condições de trabalhar? Esse para mim é o pior dilema. Meu marido é Asperger tem 44 anos, e durante a vida ela acumulou traumas e sua ansiedade se tornou cronica, inclusive ele tem quadros de aparente epilepsia (mas através de exames, foi visto que ele não é epilético e nem tem nada no cérebro que justifique esses quadros), o neuro não soube dizer o que ele tem. Ele quando tem uma crise, seus braços não se mexem, ele não consegue falar ou tem uma crise similar a da epilepsia. Ele fala que o cérebro fica carregado de informações e ele não consegue pensar, talvez por isso o cérebro perca a capacidade de controlar as funções motoras no momento das crises. Isso é muito loco e os médicos não sabem o que é. Eu acredito ser uma sobrecarga emocional no cérebro, um nível alto de ansiedade. Mas aí vem o dilema, tem medicamento para isso? Se tem os efeitos colaterais o impediram de trabalhar?

    Curtir

    • Concordo com sua hipótese de que o que ele tem se deva à ansiedade acima do que o cérebro dele possa comportar. Ansiedade excessiva é um problema seriíssimo para pessoas com Asperger. A medicação acaba sendo algo vital para a sobrevivência e um mínimo de paz de espírito. De fato, ao ler a bula, seu questionamento quanto aos efeitos colaterais faz todo o sentido, mas o que acontece na prática é que a vasta maioria das pessoas não tem quaisquer dos efeitos colaterais citados ou tem um ou outro apenas, que compensam, em vista dos benefícios que trazem. É importante atentar também para o efeito de auto sugestão que um cérebro ansioso poderá ter, se tomar a medicação convicto de que terá problemas. A pessoa com Asperger somatiza muito os sentimentos, justamente por não saber expressá-los ou mesmo reconhecê-los muito bem. Medicações para ansiedade costumam, no entanto, ter um efeito adverso que é a redução da atenção, o que pode, dependendo de cada pessoa, ser ou não um problema. Existem medicações que não são especificamente para ansiedade, mas que podem ajudar muito a reduzi-la, que são os reguladores de humor. São medicações da classe dos anti-psicóticos (que servem a outras funções além de apenas conter quadros de psicose) e podem ser muito bem tolerados, apesar da bula sempre causar preocupação. Uma dessas medicações que costuma funcionar bem para pessoas com Asperger é a Quetiapina. Dado o nível de sofrimento que seu marido enfrenta, eu recomendaria fortemente que ele tentasse alguma medicação, pois isso pode melhorar muito a qualidade de vida dele. Por fim, é importante lembrar que ansiedade excessiva por tempo prolongado pode causar inflamação cerebral e morte de neurônios, de forma que é quase tão – ou até mais – nociva que a própria medicação em si, onde a medicação não só aumentaria a sensação de bem-estar, como ainda trabalharia para preservar um pouco mais o cérebro. Abraço. Seja sempre bem-vinda ao blog!

      Curtir

  3. Minha filha, toma olazanpina, desde 11 anos,hj ela tem 28,apesar de alterar o apetite, ela dorme MT bem,já tentei tirar,mas não da certo,foi diagnosticada c asper,fala bem,não tem amigos,é linda, tenho pena,o que será dela no futuro.

    Curtir

    • Para ajudá-la, sugiro que você procure um acompanhamento com um psicólogo para você em primeiro lugar, para trabalhar seu sentimento de pena, que acaba sendo passado para ela focando sempre nas dificuldades dela, e nunca nos potenciais que ela certamente tem. Asperger é uma condição mista, que traz não só déficits, mas também potencialidades. Para alguém com Asperger ou qualquer outra condição especial, e mesmo para pessoas ditas “normais”, o pior companheiro é uma baixa autoestima e a comparação com os outros. A forma como você vê sua filha e como a compara às outras moças da idade dela pode ter um impacto imenso no quanto ela vivencia o pior ou o melhor do quadro dela, bem como impacta
      o seu nível de sofrimento como mãe. O olhar de mãe é vital para qualquer pessoa, com ou sem síndrome, mas ainda mais vital quando existem características especiais com as quais a pessoa precisa aprender a lidar por toda a vida. Abraço. Seja sempre bem-vinda ao blog.

      Curtir

  4. Pingback: Comportamento opositor, agressividade, resistência e não-colaboração | Síndrome de Asperger

  5. Fui diagnosticado com Asperger aos 7 anos, eu realmente passei por altos e baixos, crises fortes e de teor mais brando, no ano passado tive crises muito agressivas que eu não conseguia controlar dentro de mim, parece que são varios sentimentos que explodem dentro de mim e fazem querer que eu exploda.. comecei passar na psiquiatra e como estava com ansiedade super acentuada, comecei tomar fluoxetina 3cps por dia, fiquei anos sem tomar nenhuma medicação e comecei ficar melhor.. mas começou afetar em outros pontos da minha vida e eu ainda estava agressivo e sempre estava ouvindo muitas vozes nesses momentos, ai comecei tomar Olanzapina 10mg e eu apagava.. mas as vozes sumiram? então estava ótimo pra mim, mas me apagava muito e eu ainda estava agressivo em parte do tempo e ai comecei tomar o bendito Divalcon ER 500 junto com Olanzapina e comecei ficar mais calmo e sem vozes, arrisquei tirar o Olanzapina pois nao estava ouvindo mais vozes e funcionou, apenas tomo 2 Divalcon manha/noite e estou ótimo.

    Estou me sentindo tão bem que não sinto mais sensação de raiva excessiva em momentos de crise.

    Curtido por 1 pessoa

Deixe uma resposta para Fabiana Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s