Raiva e Violência em Crianças com Asperger

O texto a seguir é a tradução de um artigo do site americano My Apergers ChildO texto original (Anger and Violence in Aspergers Children) pode ser acessado aqui.

O site oferece ajuda para pais de crianças com Asperger e Autismo de Alto Funcionamento. Seu autor, Mark Hutten, é especializado em educação e aconselhamento para indivíduos afetados por desordens do espectro autista.

O autor costuma escrever seus artigos a partir de perguntas feitas pelos pais ou professores.


Raiva e Violência em Crianças com Asperger

Autor: Mark Hutten – Psicólogo, Terapeuta Familiar e Orientador Online de Pais

Tradução: Audrey Bueno

Fonte da Imagem: texto original.

Pergunta:

A raiva e o comportamento violento são parte da condição de Asperger? Estou atualmente aguardando avaliação e diagnóstico do meu filho de 5 anos – a suspeita é de Asperger.

Resposta:

Crianças (e adultos) com Asperger e Autismo de Alto Funcionamento são sujeitos à frustração, raiva – e às vezes violência. A rapidez e intensidade da raiva, geralmente em resposta a um evento relativamente trivial, pode ser extrema. Quando se sente brava, a criança com Asperger não parece ser capaz de parar e pensar em estratégias alternativas para resolver a situação. Frequentemente, há uma resposta física instantânea sem pensamento cuidadoso.

Quando a raiva é intensa, a criança com Asperger pode entrar numa fúria cega e não perceber os sinais indicando que seria prudente parar.

Crianças com Asperger têm bastante dificuldade com relações sociais. Elas têm problemas em compreender o sentido do que as outras pessoas estão dizendo e fazendo, e geralmente se esforçam consideravelmente para assimilar a perspectiva do outro. Além disso, crianças com Asperger são geralmente dependentes de estrutura e rotina porque se sentem perdidas tentando lidar com as “áreas cinzentas” em qualquer interação. Assim, há margem para muita confusão. Crianças num estado confuso podem facilmente se tornar frustradas, bravas, e atacarem.

Para algumas crianças com Asperger, parece haver uma regulação da emoção ou mecanismo de controle para expressão da raiva deficitários. Isso significa que elas são mais propensas a usar agressão ou violência como forma de lidar com o sentimento de raiva. Para outras, a agressão pode ser um meio de controlar as circunstâncias e experiências. Por exemplo, elas podem ameaçar machucar a mãe se esta insistir para irem para a escola; ou podem usar de violência para fazê-la comprar algo associado ao seu assunto especial de interesse. Para outras, a agressão pode ser um meio de fazer com que os outros parem o que estão fazendo – provocando ou importunando – ou simplesmente uma forma de fazê-los irem embora. É possível também que a agressão esteja mascarando algum transtorno de humor, tal como depressão clínica.

O tratamento para crianças com Asperger costuma envolver um estabelecimento de estrutura, incluindo calendários e rotina. Além disso, professores podem oferecer um lugar “calmo” na sala ou adjacências, onde a criança sobrecarregada possa ir para se acalmar.

O comportamento agressivo na criança com Asperger costuma ter algum motivo como gatilho, assim como ocorreria com qualquer outra criança. O comportamento inadequado, quer seja leve ou severo, ocorre de forma a: (a) evitar algo, (b) conseguir algo, (c) por causa de dor, ou (d) para atender a uma necessidade sensorial.

Os pais precisam determinar a necessidade que a agressão atende. Ensine comportamentos corretos que possam substituir os inadequados (por exemplo, a comunicarem o que querem ou não¹). Essas substituições podem inclusive envolver a utilização de alguns de seus comportamentos auto estimulantes ou obsessivos. Isso porque seria muito menos intrusivo para os outros que o comportamento agressivo, e ainda serve ao mesmo propósito. Esse processo não é imediato e, inicialmente, dependendo do comportamento, pode não haver tempo² para se aguardar os efeitos desse tipo de treinamento.

Se o comportamento for severo, então você precisará remover a criança de qualquer que seja a situação em que ela esteja no momento. Simplesmente insistir para que pare com o comportamento e participe do que quer que esteja ocorrendo não beneficiará nem a criança nem a você.

Manter uma rotina pode ajudar bastante a reduzir a necessidade de agressão ou comportamento inapropriado.


Notas do tradutor:

¹ [Porém, se forem ignoradas em suas demandas, o comportamento agressivo certamente retornará, pois a criança entenderá que apenas dizer não está sendo eficaz. Se nao for possível fazer ou dar algo, sempre explique, procure negociar, mas jamais ignore. Isso também contribui para uma melhor autoestima da criança, e quanto melhor a autoestima, mas satisfeita consigo mesma a criança se sentirá e mais confiança e disposição desenvolverá em tentar melhorar suas interações sociais.]

² [Nesse caso, a opção é apoio medicamentoso, a partir do acompanhamento com um psiquiatra infantil.]

 

Observação final – da autora do blog:

Embora estratégias comportamentais sejam sempre muito importantes, há muitos casos em que apenas o uso de medicação fará com que a agressividade seja, de fato, reduzida. Sugiro a leitura complementar sobre esse assunto, onde um excelente especialista australiano e autor de vários livros sobre autismo fala sobre essa questão, neste post aqui mesmo no blog: Medicação no Autismo e Síndrome de Asperger

 

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